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Circle of Inevitability - Capítulo Vinte e um: – Resposta.
Lumian ficou em silêncio, os olhos grudados no pedido de ajuda restaurado.
Embora o que ele descobriu não fosse necessariamente o conteúdo da carta; afinal, as palavras poderiam criar outras frases como “as pessoas ao nosso redor precisam de ajuda o mais rápido possível”, “estamos ficando mais estranhos”. Ele não pôde deixar de sentir um peso pressionando seu coração.
No passado, poderia ter considerado isso uma brincadeira, mas muitas coisas anormais estavam acontecendo em Cordu — e essas foram apenas as que ele percebeu.
“Não posso fingir que não vi nada, nem posso fingir que nada aconteceu…”
“Grande Irmã disse que uma pessoa com coração e mente normais precisa saber como evitar o perigo. Elas não deveriam ficar debaixo de um muro ao descobrir que ele está prestes a desabar…”
Ele saiu de seu devaneio e se decidiu.
Não podia arriscar ficar em Cordu nem mais um minuto. Tinha que sair com a irmã e tinha que fazer isso agora!
Quanto à anormalidade, os funcionários sem dúvida lidariam com isso. Os aldeões de Cordu estavam sob sua proteção e Lumian não tinha o dever nem a capacidade de assumir tal responsabilidade.
“Além disso, tenho que acelerar a exploração das ruínas dos sonhos e me esforçar para obter superpoderes em um curto espaço de tempo para lidar com quaisquer acidentes que possam acontecer quando eu sair deste lugar…” A urgência da situação o encheu de uma sensação de imperatividade que ele não poderia ignorar.
Ele precisava ficar muito mais forte se quisesse proteger sua irmã e garantir sua segurança. A última coisa que ele queria era que ela fosse implicada em qualquer anormalidade que pudesse surgir antes de deixarem Cordu.
Mantendo sua missão em mente, Lumian devolveu cuidadosamente seu livre bleu ao seu lugar original. Então, pegou o pedaço de papel contendo as palavras e frases anteriores e desceu as escadas propositalmente.
Foi até o fogão e jogou o pedaço de papel nas chamas famintas.
Uma vez lá fora, Lumian não perdeu tempo e foi direto para o Antigo Bar.
Mas ao se aproximar da porta, encontrou-a bem fechada, uma indicação clara de que o proprietário e barman, Maurice Bénet, provavelmente tinha ido assistir ao funeral de Naroka.
Mesmo assim, Lumian sabia que, sendo um hotel de meio período, era impossível trancar todas as portas durante o dia sem incomodar os hóspedes.
Então, seguiu por uma trilha lateral e entrou pela porta dos fundos.
Subindo as escadas, Lumian examinou o corredor, mas não viu ninguém à vista.
Thud. Thud. Thud. Os passos de Lumian ecoaram enquanto ele subia as escadas para o segundo andar da pousada. Parou do lado de fora da porta do quarto da enigmática mulher, examinando a maçaneta em busca de algum sinal de “Não perturbe”. Não encontrando nada, inspirou profundamente e expirou lentamente, estabilizando-se. Com um movimento do dedo, bateu levemente na porta.
Toc! Toc! Toc!…
Ele bateu três vezes seguidas, mas não houve movimento lá dentro.
Toc! Toc! Toc!… Sem resposta. Lumian tentou novamente, desta vez batendo com mais firmeza.
Ele bateu na porta, mas o quarto permaneceu em silêncio.
“Ela não está aqui?” Lumian franziu a testa. “Ela foi ao funeral de Naroka?”
Sem perder um momento, desceu as escadas e saiu da pousada, indo direto para o cemitério ao lado da catedral.
No caminho, passou pela casa de Naroka, onde os enlutados que se despediram na porta se dispersaram e se dirigiram ao cemitério para aguardar a procissão.
Lumian examinou a área, seus olhos analisando a paisagem até avistar uma figura emergindo da casa. Não era outro senão Pons Bénet, o irmão mais novo do padre.
— O que… — O coração de Lumian deu um pulo quando ele se encostou no prédio próximo, tentando permanecer discreto.
“Não era estritamente proibido entrar na casa do falecido, pois isso poderia influenciar a providência da família?”
Pons Bénet parou em frente à casa de Naroka e sussurrou algo para Arnault André, o filho mais novo da velha.
Após uma breve conversa, Pons Bénet partiu, deixando Arnault trancar a casa e dirigir-se ao cemitério.
“A morte de Naroka é realmente um pouco peculiar…” Lumian franziu a testa e murmurou para si mesmo silenciosamente.
Ele agora sentia que talvez a coruja não fosse culpada pela morte de Naroka. Era mais provável que o grupo do padre tivesse algo a ver com isso.
A coruja pode estar simplesmente cumprindo seu dever de tirar as almas dos mortos em Cordu. Aconteceu de parar no caminho e observar Lumian por um tempo.
Claro, Lumian tinha um palpite ainda mais assustador: e se o grupo do padre e a coruja estiverem conectados!?
Suas peculiaridades e atividades clandestinas poderiam ser atribuídas aos restos mortais do Bruxo.
“Antes de sair de Cordu, devo encontrar uma oportunidade de compartilhar minhas ideias com Ryan, Leah e companhia. Espero que eles descubram a verdade e ponham fim ao problema rapidamente.” Lumian desviou o olhar e murmurou para si mesmo enquanto se dirigia para a catedral do Eterno Sol Ardente.
Apesar de parecer sombrio e solene durante o funeral, Lumian manteve um olhar atento sobre cada aldeão, na esperança de detectar qualquer anormalidade no seu comportamento.
Infelizmente, seus esforços não produziram frutos.
No entanto, tinha uma leve suspeita de que alguns dos aldeões estavam usando uma fachada…
Além disso, a mulher enigmática que lhe concedeu a carta de tarô não foi encontrada em lugar nenhum no cemitério.
À medida que a noite descia sobre a residência semi-subterrânea de dois andares, Aurore fixou os olhos em seu irmão, Lumian, e perguntou: — Onde está seu teste? Deixe-me ver.
A expressão de Lumian ficou séria quando ele respondeu: — Tenho uma coisa para lhe contar.
Aurore examinou seu rosto.
— Algum animal selvagem da aldeia mastigou seu teste de novo?
— Não, — Lumian sussurrou, em voz baixa. — Eu descobri algo com aqueles estrangeiros.
O sorriso de Aurore desapareceu, gesticulando para que ele continuasse.
Lumian revelou como Ryan e seu grupo estavam bisbilhotando, investigando uma carta e a peculiaridade do livre bleu em casa. Ele falou de suas suspeitas em relação a Madame Pualis e ao conteúdo da carta, que decifrou usando o livre bleu de Reimund.
Por fim, sugeriu: — Temos que sair da aldeia o mais rápido possível e ir para Dariège. Não, Bigorre. Ficaremos lá um pouco.
Aurore não respondeu imediatamente. Ela refletiu sobre a sugestão de Lumian por mais de dez segundos.
— Esta é realmente a melhor escolha por enquanto.
— No entanto, há um problema. Se fugirmos repentinamente de Cordu enquanto os oficiais estão investigando, isso não chamará a atenção para nós? Eles nos interceptarão e nos tornarão o foco de sua investigação?
— Tudo bem se eu não for uma Beyonder, mas sou uma Beyonder não oficial. Serei capturada e purificada pela Inquisição.
Lumian estava perdido, um amador em um mar de veteranos experientes. O problema em questão era um enigma que ele nunca havia enfrentado antes e, por um momento, ficou sem palavras.
Ele finalmente conseguiu gaguejar: — Então qual é o plano? Fugimos e nos escondemos em outra cidade, outro país?
— Oh, Lumian, você está me superestimando, — disse ela. — Esses três forasteiros são mais poderosos do que você pensa. Se houvesse apenas um, eu poderia enfrentá-lo, mas três? E se houver uma emboscada fora da aldeia? Talvez eles estejam apenas esperando que a gente fuja.
Lumian ficou sem palavras.
Ele tinha que admitir que, comparado à irmã, ele ainda tinha as orelhas fedendo a leite. Ele simplesmente não tinha o mesmo nível de experiência ou a atenção aos detalhes que ela possuía.
— Você é muito impulsivo, — disse Aurore, balançando a cabeça. — Mas suponho que isso era de se esperar. Afinal, que jovem não tem um pouco de fogo na barriga?
Ela parou por um momento.
— Amanhã de manhã, você vai me fazer um favor. Vá até o escritório do administrador e me ajude a enviar um telegrama para a Novel Semanal. Pergunte quando será realizado o próximo salão de autores.
Aurore era uma colunista querida da Novel Semanal.
Apenas o administrador e o padre possuíam uma máquina de telegramas, reservada para comunicações de emergência. Os aldeões poderiam usá-la, mas a um custo em verl d’or.
Aurore percebeu a confusão de Lumian e rapidamente explicou seu plano: — A Novel Semanal está me implorando para promover meu trabalho em Trier, mas sempre recusei, inclusive o mais recente salão de autores. Aproveitaremos a oportunidade e até seremos reembolsados por nossas passagens de trem. Nossa partida parecerá normal e, mesmo que estejamos sendo vigiados, não seremos suspeitos. Posso enganá-los temporariamente quando chegar a hora. Contanto que não deixemos que a anormalidade nos corrompa, nossas chances de escapar de Cordu são altas.
Lumian deu um suspiro de alívio. — Tudo bem, — disse ele.
Em apenas alguns segundos, Lumian fez uma pergunta intrigante para Aurore.
— Aurore, uh, Grande Irmã, Beyonder é um termo para pessoas com superpoderes?
— Sim, — respondeu Aurore, optando por não dar mais detalhes.
No entanto, Aurore deu um sorriso malicioso e disse: — Então, você realmente vai abandonar seus amigos e fugir de Cordu.
— Devo ter perdido a parte em que esse é o meu problema, — Lumian bufou em resposta.
Manter sua irmã segura era sua prioridade no momento.
Aurore estalou a língua e riu.
— Oh, Lumian, você é uma delícia. Diga isso de novo, ok?
— Quantas vezes você já disse isso antes? E, no entanto, todas as vezes, você oferece silenciosamente sua ajuda ou lhes dá um aviso falso, — continuou Aurore.
— São assuntos triviais, — defendeu-se Lumian.
No entanto, a anormalidade que enfrentavam agora era uma ameaça real à segurança de sua irmã.
— Ok, ok, — Aurore suspirou, não querendo discutir com o garoto. — Vamos preparar o jantar. Hoje é a sua vez de cozinhar.
Lumian grunhiu laconicamente e foi em direção ao fogão.
A noite estava escura, a lua vermelha obscurecida por nuvens espessas.
Lumian terminou de se banhar e deitou-se na cama.
Uma preocupação visível surgiu em seu rosto.
A resposta de Aurore não foi ruim, mas Lumian estava preocupado que as anomalias na aldeia irromperiam a qualquer momento enquanto esperavam pela resposta da Novel Semanal.
Lumian estava desesperado para aumentar sua força e obter superpoderes nas ruínas do sonho parecia a opção mais fácil.
No entanto, não conseguiu encontrar aquela mulher o dia todo e não teve nenhuma sugestão correspondente. Ele não teve escolha a não ser tentar sozinho.
A situação era como uma flecha armada, pronta para disparar, e Lumian não podia se dar ao luxo de hesitar.
Sem hesitar, Lumian se recompôs e adormeceu lentamente.
Circle of Inevitability - Capítulo Vinte e dois: – Planos.
Lumian acordou com o mundo envolto em uma névoa tênue e cinzenta.
Com facilidade e prática, ele saiu da cama e correu para a janela. Seu olhar caiu sobre a montanha, uma gigante imponente de pedras vermelho-acastanhadas e solo marrom-avermelhado que assomava na floresta além.
Apesar do seu tamanho modesto, com apenas vinte ou trinta metros de altura, a montanha parecia estender-se infinitamente para cima, perfurando os próprios céus. Lumian se viu usando as palavras pico da montanha para descrevê-la, tão profundo foi o impacto que teve sobre ele.
Sob sua estrutura maciça, as ruínas de estruturas dilapidadas cercavam a região selvagem desolada, empilhadas umas sobre as outras, camada após camada.
“A julgar pela constituição do monstro que empunha a espingarda, eu diria que ele é altamente habilidoso tanto para correr quanto para pular. Ele também parece possuir um certo grau de inteligência, capaz de empunhar uma arma tão complexa quanto uma espingarda…”
“Ele tem habilidades de rastreamento incrivelmente fortes, e não posso descartar a possibilidade de possuir algum tipo de superpoder, assim como Aurore…”
…
À medida que Lumian concentrava sua mente, detalhes do alvo começaram a surgir.
Seu julgamento inicial foi sombrio: se ele tentasse enfrentar o monstro com a espingarda, sua chance de sobrevivência seria de apenas 10%. E se ele tentasse utilizar sua característica especial, isso apenas aceleraria sua morte. Sua meditação era uma faca de dois gumes; isso o levava à beira da morte, tornando-o vulnerável até mesmo ao menor ataque do inimigo.
Ataques furtivos e assassinatos também não eram opções viáveis. A outra parte possuía uma habilidade incrível de rastrear seus movimentos, tornando inúteis qualquer tentativa de furtividade. Além disso, Lumian não tinha o equipamento necessário para montar um ataque à distância. Um revólver seria uma dádiva de Deus.
Nos últimos dois dias, Lumian quebrou a cabeça tentando bolar um plano. E finalmente, uma solução se apresentou: armadilhas!
Ele se aventurou nas profundezas das montanhas com os caçadores da aldeia, onde dominou a arte de montar armadilhas. Desde então, Lumian se tornou um profissional em fazer algumas “pegadinhas”.
O plano inicial de Lumian era usar óleo como arma. Sua ideia era encher um balde grande com óleo, amarrar uma corda nele e escondê-lo em algum lugar alto. Quando seu alvo se aproximasse, ele puxaria a corda, fazendo o balde tombar, encharcando a vítima desavisada com óleo. Então, acendia uma tocha e a jogaria nele.
Porém, após alguma deliberação, ele desistiu da ideia.
Partindo da premissa de que a criatura tinha fortes habilidades de rastreamento, ele sabia que precisava superestimar seu olfato.
O cheiro de óleo era bastante óbvio e, se ele usasse outros cheiros mais fortes para encobri-lo, não tinha certeza se a outra parte reagiria de forma diferente. O monstro pode até ser capaz de distinguir a menor anormalidade, como cães selvagens.
No final, Lumian optou por cavar um buraco fundo e plantar estacas no fundo.
Ele sabia que havia um certo problema com esse plano. Com as habilidades de rastreamento exibidas pelo monstro, havia uma grande chance de ele descobrir a anomalia com antecedência e perceber armadilha.
A resposta de Lumian foi encontrar uma maneira de explorar seus pontos cegos e fazê-lo baixar a guarda.
Suas armas eram inferiores às da criatura, mas ele esperava que sua inteligência pudesse lhe dar vantagem. Como humano, ele tinha uma vantagem: seu cérebro.
“Pelo menos desde o nosso último encontro, ele possui um certo grau de inteligência, embora não tão alto…” Lumian se confortou.
Mas ele se recusou a deixar que isso o acalmasse e lhe proporcionasse uma falsa sensação de segurança. Ele planejaria presumir que a criatura tivesse as habilidades cognitivas de um ser humano normal.
Alguém como Pons Benet.
“Não, o QI daquele cara é menor que uma pilha de pedras. Se não fosse por todos os seus capangas, eu o faria se curvar diante de mim e me chamar de papai.” Após um momento de contemplação, Lumian aumentou suas expectativas em relação ao monstro. “Sim, trate-o como um padre sem instrução.”
Ele olhou pela janela novamente, com os olhos fixos na região selvagem entre sua morada e as ruínas.
“Este lugar estava mais próximo da “zona segura”, tornando-o o local ideal para seu esconderijo. Porém, não havia cobertura, deixando tudo exposto à vista, tornando-o impróprio para uma emboscada.
— Não há problema em cavar uma armadilha, mas se eu me usar como isca, a outra parte será capaz de me localizar à distância e atirar em mim. Não será necessário vir de jeito nenhum… — Lumian murmurou, pensando se deveria corra o risco de entrar nas ruínas para montar uma armadilha.
Seu plano tomou forma rapidamente, restando uma coisa a confirmar: levaria muito tempo para cavar um buraco profundo e plantar estacas abaixo. Lumian não podia esperar que a outra parte esperasse até que ele terminasse.
Após um momento de reflexão, Lumian abriu os braços e fez um gesto de abraçar o Sol. Ele orou com mais fervor do que nunca.
— Meu Deus, meu Pai, por favor, abençoe-me e ajude-me a lidar com esse monstro.
— Louvado seja o sol!
Não havia 100% de certeza para a maioria das coisas no mundo. Lumian não hesitou por um momento. Ele pegou o tridente e o machado do quarto e foi para o escritório.
Considerando a arma do alvo, Lumian sabia que precisava trocar seu equipamento de proteção.
Ele tirou as roupas de algodão e amarrou livros de capa dura no peito e nas costas com uma corda.
Esta era uma armadura de papel improvisada!
Ele se lembrava vagamente de sua irmã avisando-o sobre o potencial de lesões internas, mas não podia se dar ao luxo de se preocupar com isso agora.
Ele se espreguiçou para ter certeza de que o peso dos livros não prejudicaria suas habilidades de luta, depois vestiu a jaqueta de couro e desceu ao térreo para reunir materiais para sua armadilha.
Não muito tempo depois, o aperto de Lumian aumentou ainda mais o feixe de cordas em sua cintura, uma para escalar e outra para confeccionar redes de corda para substituir os galhos das árvores.
Ele respirou fundo, preparando-se para o que estava por vir, e agarrou o machado de ferro com a mão direita ao abrir a porta.
Uma leve névoa cinza se espalhava pela região selvagem enquanto Lumian se aproximava da montanha, o pico agora tingido de sangue.
Lumian abriu caminho através do silêncio misterioso, rastejando em direção à beira das ruínas.
Com cautela, ele caminhou um pouco para o lado e jogou a pá, o tridente, as cordas e outros equipamentos em um canto escuro de um prédio desabado. Com apenas seu fiel machado em mãos, retornou ao local onde havia entrado nas ruínas.
Movendo-se silenciosa e deliberadamente, Lumian se aprofundou nas ruínas sem chamar atenção para si mesmo.
Quando finalmente chegou ao local onde o monstro de três caras o assustou da última vez, ele parou por quase um minuto antes de voltar.
No meio do caminho, começou a fazer um desvio, circulando de volta em direção à casa desabada onde guardava suas ferramentas.
Ao se aproximar, Lumian examinou o terreno, procurando um local adequado para montar sua armadilha.
“Há uma fenda relativamente larga e curta aqui. Com uma pequena modificação, será uma armadilha excelente e me poupará um tempo precioso. Quanto ao outro, bem, isso pode demorar um pouco. Mas só terei que torcer para que o monstro não me encontre muito rapidamente…”
Lumian pegou sua pá e outros equipamentos, voltou ao local escolhido e começou a trabalhar.
Depois de modificar a fenda, Lumian empunhou seu machado e cortou um pedaço de madeira irregular, depois inseriu-o na base da armadilha. Ele criou uma rede de corda, colocando-a sobre a armadilha antes de cobri-la com terra, garantindo que ela se misturasse perfeitamente com o ambiente.
Com tudo no lugar, ele começou a imitar o monstro que o perseguia.
“Se esta criatura for tão perspicaz quanto penso, ela sentirá a armadilha e a evitará, talvez saltando sobre ela com um único salto. No entanto, inevitavelmente posar aqui…”
“Eu preciso estar aqui, então ele me avistará no momento em que eu…” Lumian mediu a distância com os pés e confirmou sua linha de visão antes de se estabelecer em uma parede relativamente intacta.
Ele se agachou ali e confirmou sua linha de visão.
Então começou a cavar uma segunda armadilha.
Esta era uma armadilha projetada especificamente para humanos normais.
Lumian sabia que quando alguém conseguisse rastrear seu alvo e facilmente percebesse que a outra parte havia preparado uma armadilha para eles, apenas para descobrir que o inimigo estava à espreita nas proximidades, provavelmente ficariam arrogantes. Sua sede de sucesso os dominaria e eles ignorariam a possibilidade de uma segunda armadilha, atacando avidamente suas presas.
Era uma falha clássica de pessoas com inteligência inferior.
Lumian apenas rezou para que o monstro não possuísse o QI médio de um humano. Se isso acontecesse, ele não teria escolha a não ser fugir. As probabilidades eram de que ele seria enredado e deixado para morrer na selva, com poucas chances de voltar para sua casa e se esconder na zona segura.
A anormalidade de Cordu o forçou a fazer uma escolha perigosa.
A cada momento que passava, Lumian ficava cada vez mais cauteloso. Mesmo tendo montado a segunda armadilha, o monstro com a espingarda ainda não havia aparecido.
O mesmo vale para os outros monstros.
Por fim, Lumian começou a relaxar. Depois de guardar a pá e outros equipamentos, ele ficou em pé, abrindo bem os braços.
— Louvado seja o sol! — ele exclamou com vigor renovado.
Lumian encolheu-se contra a parede e caiu de joelhos, com os olhos fixos na primeira armadilha.
Não havia nenhuma linha de visão clara para o caminho que ele seguiu, obstruído por um prédio desabado na sua linha de visão.
Ele esperou ali, pacientemente, com o coração batendo forte no peito. Lumian podia sentir a adrenalina correndo em suas veias, e a sensação era sem precedentes.
Como um vagabundo, Lumian encontrou seu quinhão de inimigos que eram maiores e mais fortes que ele. Mas não queriam acabar com ele; eles só queriam sua comida, dinheiro e um lugar decente para dormir. Mesmo que alguém morresse na briga, isso seria considerado um infeliz acidente.
Mas agora, o adversário que ele enfrentava era uma criatura monstruosa que não respeitava as leis ou a moral humana. E era exponencialmente mais forte que Lumian. Inferno, pode até possuir alguns superpoderes. Se seu esquema desse errado, o resultado seria quase certo.
Thump, thump, thump… O coração de Lumian estava prestes a saltar do peito.
Todos queriam viver uma vida boa e Lumian não era exceção.
“Inspire, expire… inspire, expire…”
Lumian tentou respirar fundo para acalmar os nervos, mas não ajudou.
Lumian esperava que o monstro aparecesse mais cedo, embora temesse sua chegada.
Por um lado, poderia trazer uma resolução rápida para esta situação, independentemente de o resultado ser positivo ou negativo. Pelo menos então ele não estaria tão ansioso como estava agora, quase a ponto de desmoronar. Por outro lado, o medo tomou conta dele com força.
Percebendo que não poderia continuar assim, lembrou a si mesmo: “não posso sobrecarregar Aurore com meus medos.” Com isso, ele tentou meditar, concentrando toda a sua energia na tarefa.
Embora tenha sido mais desafiador do que antes, Lumian finalmente conseguiu delinear o sol carmesim em sua mente.
A simples visão disso aliviou um pouco seus nervos, mas ele ainda tremia de medo.
De repente, ouviu um leve farfalhar.
Era como se um pastor se aproximasse silenciosamente através de um pasto próximo, escondido da vista.
Circle of Inevitability - Capítulo Vinte e três: – Inteligência de Combate.
Os sentidos de Lumian estavam em alerta máximo.
Ele não estava tão assustado como antes, agora que as coisas finalmente estavam acontecendo. Apesar de seu corpo ainda tremer, ele se sentia mais no controle e menos propenso a desmaiar.
“Eu deveria ter morrido há cinco anos. É tudo graças a Aurore que ainda estou vivo. Esses últimos cinco anos foram um almoço grátis. O que há para ter medo?” Lumian murmurou para si mesmo, cerrando os dentes e reunindo coragem.
Num piscar de olhos, a luz já fraca que iluminava a superfície da primeira armadilha ficou ainda mais fraca.
Uma figura sombria emergiu, bloqueando a luz que atravessava a densa névoa no céu.
A figura assomava à distância, uma fera corpulenta com olhos vermelho-sangue e cabelo preto oleoso. Meio humano e meio fera, estava armada com uma espingarda nas costas, pronta para qualquer coisa. Seus joelhos dianteiros se dobraram enquanto examinava o chão à sua frente.
Um momento depois, a fera, vestindo uma jaqueta escura e calças enlameadas, tirou a espingarda e saltou, controlando a extensão vertical do salto para saltar sobre a armadilha e cair no chão sólido e rachado.
Virou a cabeça cheia de cabelos negros e viu um leve movimento.
Então, o monstro avistou Lumian, que estava com uma expressão de pânico e tentava se esconder atrás de uma parede.
Com um grunhido baixo, a fera saltou novamente e atacou seu alvo.
Aterrissou a uma pequena distância de onde Lumian estava, para evitar que ele se virasse e desferisse um golpe fatal antes que pudesse se estabilizar.
Lumian contornou a parede tateando, desaparecendo de vista.
Assim que o monstro pousou, o solo sob seus pés cedeu e ele despencou junto com a terra e a rede de corda em um buraco profundo que apareceu de repente.
Thud!
O som de algo pesado caindo no chão ecoou pelo prédio abandonado, acompanhado por um grito que lembrava o de um rato.
Lumian, que se escondeu atrás da parede, não conseguiu reprimir a emoção que o invadiu ao testemunhar a visão.
O primeiro passo foi dado!
Com a maior parte de seu medo evaporando, ele pegou o tridente ao seu lado e correu em direção à armadilha.
A formidável tenacidade do monstro sem pele deixou uma impressão indelével em Lumian. Além disso, sua presa tinha uma espingarda, então ele evitou se expor acima do buraco profundo. Em vez disso, apontou o tridente à distância e o enfiou na cova.
Em uma reviravolta repentina, o tridente mergulhou e parou abruptamente.
Imediatamente, uma força intensa reverberou através do tridente, puxando Lumian para a armadilha com força bruta.
Pego de surpresa, Lumian caiu para frente.
Ele não se incomodou em inspecionar o fundo do buraco. Descartando o tridente, virou-se e se lançou em direção à parede ainda de pé.
Bang!
O impacto atingiu Lumian como um trem de carga, derrubando-o.
Sangue, com um gosto metálico distinto, subiu em sua garganta.
Com um baque surdo, ele caiu no chão, rolando algumas vezes antes de recuperar o equilíbrio.
No mesmo instante, avistou a criatura monstruosa — meio humana, meio besta — emergindo do buraco profundo.
Ele segurava uma espingarda de cano único na mão, o corpo rasgado, revelando um agrupamento grotesco de feridas. Uma mistura nauseante de líquido vermelho escuro e amarelo claro pingava, enquanto seu interior se espalhava.
Apesar de ter sido gravemente ferida pela armadilha de Lumian, a criatura não perdeu a capacidade de lutar.
Ao cair no buraco, conseguiu contorcer o corpo apenas o suficiente para evitar um golpe fatal. As pernas e os braços da criatura também ainda funcionavam, permitindo que ela se libertasse da armadilha.
Sem hesitar um momento, Lumian disparou para as ruínas próximas.
Não foi uma decisão instintiva; ele tinha um plano em mente.
Ele sabia que havia uma chance de a armadilha não incapacitar completamente o monstro, deixando-o com força suficiente para revidar.
Caso a armadilha falhasse, o plano de contingência de Lumian era usar o ambiente a seu favor. Ele jogaria um jogo de gato e rato, ganhando tempo para a fera sucumbir aos ferimentos. Seu tempo de reação e força enfraqueceriam consideravelmente, e Lumian poderia atacar quando a oportunidade se apresentasse.
Bang!
Outro tiro soou, seguido pelo som de terra espirrando enquanto poeira apareciam no local onde Lumian estava.
Ele rapidamente se escondeu atrás de uma parede meio desmoronada e rastejou de quatro até o outro lado das ruínas.
De repente, ouviu o som do vento soprando no ar.
O monstro havia saltado.
Lumian rapidamente girou e rastejou de volta para trás da parede meio desmoronada através de uma abertura.
Ele aproveitou ao máximo as condições especiais dos prédios desabados, escondendo-se às vezes e circulando em outras, esquivando-se dos ataques do monstro sem se envolver em uma luta direta.
O esconde-esconde era o forte de Lumian, aprimorado por meio de brincadeiras anteriores, nas quais ele usava essa habilidade inata para escapar de uma surra na hora.
À medida que o jogo de gato e rato continuava, Lumian gradualmente se viu ofegante, enquanto a velocidade de corrida, a altura do salto, a força e a velocidade de reação do monstro haviam claramente enfraquecido.
“Só mais um pouco, só mais um pouco. Ainda não consigo derrotá-lo agora…” Lumian recuou para sua localização anterior, encostando-se na parede meio desmoronada e tentando controlar sua vontade de contra-atacar imediatamente.
Bang! De repente, ele sentiu um forte golpe nas costas, fazendo-o voar para frente.
A parede meio desmoronada e as pedras atrás dele explodiram em um milhão de pedaços, chovendo ao seu redor enquanto ele caía no chão.
O monstro não o perseguiu, em vez disso escolheu bater com o corpo nos obstáculos na sua frente.
A parede já instável e meio desmoronada não aguentou o peso de sua força total e desabou completamente.
Sangue carmesim jorrou das feridas da criatura, acumulando-se no chão em uma exibição grotesca.
Apesar de ter sido pego de surpresa, os reflexos de Lumian foram rápidos. Ele rolou para longe do perigo e procurou abrigo atrás de uma pilha de escombros.
Bang!
O tiro de espingarda do monstro errou-o por um fio de cabelo.
Depois de bater na parede, o monstro lutou para recuperar o equilíbrio.
Ele se atrapalhou com a sacola de pano amarrada à cintura, apenas para encontrá-la vazia. Com um grunhido, jogou a espingarda para o lado e atacou Lumian.
Lumian já havia disparado para um novo esconderijo para continuar o jogo de gato e rato.
Claro, não poderia continuar esse jogo para sempre. O monstro poderia escapar se esperasse muito, e o barulho poderia atrair outros da sua espécie.
Enquanto circulava pela área, percebeu que o monstro parecia estar diminuindo a velocidade.
“Aqui está a chance!”
Com uma decisão rápida, Lumian fingiu fugir em direção a um prédio desabado.
Uma vez lá, ele se manteve firme, tirou o machado das costas e parou um momento para recuperar o fôlego.
Num piscar de olhos, o monstro dobrou a esquina e ficou na frente de Lumian.
Sem hesitar, Lumian ergueu o machado e avançou.
Ele deu um passo em direção à criatura, virando o corpo de lado e abaixando o ombro. Planejou golpear o monstro com o corpo, um movimento que sua irmã lhe ensinou, e então cortar seu pescoço.
Bam!
Lumian deu um passo à frente, encostando o corpo no peito do monstro, mas a criatura não se mexeu. Lumian ficou surpreso com sua postura inflexível. Ele tentou empurrar com mais força, mas o monstro permaneceu como uma parede grossa.
“O que…” O coração de Lumian apertou e ele se recuperou. Estava prestes a abaixar-se e tentar escapar do alcance de ataque do monstro.
Num piscar de olhos, o monstro avançou e agarrou o pescoço de Lumian com força.
Não parecia estar tendo problemas para se mover!
Lumian engasgou em estado de choque ao ser içado no ar, com o pescoço latejando de dor. “Sacrebleu, fui enganado!” ele exclamou mentalmente, sua mente girando.
Nota: Sacrebleu significa caramba.
Um rangido encheu o ar e o mundo girou ao seu redor, fazendo sua cabeça girar.
Seu machado errou o alvo e agora foi jogado para o lado.
Lumian finalmente percebeu que havia sido enganado pelo monstro.
Apesar de estar em apuros, a criatura tinha força suficiente para lutar. Ele fingiu fraqueza astuciosamente, atraindo-o para atacar em vez de permanecer escondido. Lumian havia subestimado sua inteligência de combate e agora se encontrava em uma situação desesperadora.
O monstro estava claramente no fim de sua vida, como evidenciado por sua incapacidade de quebrar o pescoço de Lumian. Mas esta era apenas uma pausa temporária. A criatura ainda tinha energia suficiente para terminar o trabalho.
Quando seu pescoço ameaçou quebrar e sua respiração ficou mais irregular, Lumian sentiu sua mente começar a ficar em branco.
Em branco.
Enquanto Lumian estava à beira da morte, as palavras da mulher de repente ressurgiram em sua mente.
Ela queria que ele usasse o que há de especial nele no sonho.
“Característica especial…” Seus pensamentos estavam quase vazios e então ele rapidamente aproveitou a oportunidade para meditar.
O sol vermelho apareceu instantaneamente em sua mente. Ao contrário de sua tentativa anterior de meditação para acalmar suas emoções, onde o sol desaparecia assim que se formava, desta vez ele se concentrou em mantê-lo existindo. De repente, uma voz vinda de cima, infinitamente alta, perfurou seu crânio.
A dor era insuportável e Lumian sentiu como se seu coração fosse explodir no peito. Esqueceu-se do aperto do monstro em seu pescoço e do fato de que ele estava lutando para respirar.
De repente, caiu no chão com um baque nauseante.
O som estranho que acompanhava a sua meditação desapareceu, mas a dor permaneceu, quase insuportável. Ele não foi capaz de avaliar o que estava ao seu redor ou mesmo avaliar os danos causados ao seu corpo.
Depois de um período de tempo desconhecido, a sensação de quase morte diminuiu.
Lumian não se incomodou em verificar o pescoço; em vez disso, colocou as mãos no chão e levantou a cabeça.
A fera estava agachada ali perto, meio humana e meio fera, com a cabeça baixa e os braços estendidos à frente.
Lumian notou que suas feridas ainda vazavam sangue misturado com um líquido amarelo, e o corpo da criatura estremecia incontrolavelmente.
“O que há de errado com ela? Ficou assustada com a “especialidade” que demonstrei?” Ele pegou seu machado caído e deu um passo em direção ao monstro.
Sem hesitar, segurou o machado com as duas mãos e o golpeou na nuca da fera.
O machado afundou profundamente nos músculos da criatura e parou nos ossos.
Lumian usou toda a sua força para remover o machado, depois continuou seu ataque, golpeando o pescoço do monstro uma, duas, três vezes. Finalmente, a cabeça da fera se separou do corpo com um barulho nauseante, rolando para o lado.
O corpo aguentou por mais um momento, mal conseguindo sobreviver.
Nenhuma resistência, apenas tremores.
E então, com um solavanco repentino, o corpo de Lumian se contorceu, suas mãos se soltaram, deixando o machado ensanguentado deslizar para baixo com um ruído nauseante.
Huff. Huff. Huff. Ele poderia finalmente recuperar o fôlego.
Circle of Inevitability - Capítulo Vinte e quatro: – Ganhos.
Lumian não teve o luxo de descansar por muito tempo. Tinha que continuar se movendo, com medo de que outros monstros pudessem aparecer. Depois de parar um momento para recuperar o fôlego, suportou a dor no pescoço e nas costas e lentamente se aproximou do cadáver do monstro.
Ele segurou o machado com força na mão direita, pronto para atacar novamente se a criatura não estivesse totalmente morta.
Depois de revistar cautelosamente o corpo com a mão esquerda, encontrou três moedas de cobre chamadas “lamber” e um saco de pano vazio.
— É isso? — Lumian murmurou para si mesmo, desapontado por não ter encontrado nada relacionado a superpoderes.
Se não fosse por isso, ele teria arriscado a vida lutando contra esse monstro?
Se Lumian não fosse especial no sonho, nada mais seria do que a refeição do monstro.
Ele se apoiou e olhou para a cabeça do monstro que havia rolado para o lado, rezando para que o que ele procurava estivesse lá.
Naquele momento, um brilho carmesim profundo se materializou sobre o corpo do monstro.
Parecia vaga-lumes, convergindo gradualmente para um único ponto de forma inflexível.
Lumian ficou boquiaberto, incrédulo, quando uma sensação de euforia começou a crescer dentro dele.
Esse fenômeno tinha que estar ligado a superpoderes!
Sem muita demora, uma substância vermelha escura e pegajosa se materializou no peito do monstro, e nenhum ponto de luz adicional apareceu.
Lumian se agachou cautelosamente e tentou agarrar a bolha.
Era incrivelmente escorregadia, escorregando duas vezes antes de finalmente conseguir segurá-la na palma da mão.
“É extremamente leve, mas possui uma certa textura e elasticidade. A superfície parece tão lisa quanto vidro…”
— O que diabos é isso? — Lumian murmurou para si mesmo, percebendo mais uma vez que era completamente analfabeto quando se tratava de assuntos místicos.
No meio de sussurros abafados, Lumian sentiu o cheiro de algo estranho e vermelho-escuro que cheirava a sangue. Sua impaciência cresceu e uma malícia indescritível tomou conta de seu corpo.
Por um momento, não queria nada mais do que levantar o machado e atacar o cadáver do monstro até que suas emoções violentas se esgotassem.
Mas o alerta de Aurore sobre os perigos de perseguir superpotências ecoou em sua mente, e ele rapidamente controlou seus impulsos. Ele havia tomado precauções para se monitorar e permanecer vigilante o tempo todo, e não baixaria a guarda agora.
“Isso afeta minha mente?” Lumian jogou a bolha vermelha escura no saco de pano que encontrou no monstro.
No momento em que perdeu contato com ela, ele sentiu uma onda de calma tomar conta dele, dissipando a excitação restante do combate mortal.
Seu corpo ainda tremia ligeiramente, mas estava de volta ao controle.
— Como esperado! — Lumian sussurrou feliz enquanto voltava a si.
Ele amarrou o saco de pano com força e prendeu-o na fivela do cinto.
Após um momento de reflexão, Lumian retirou o saco de pano e guardou-o com segurança no bolso interno de sua jaqueta de couro.
Isso lhe proporcionou uma sensação de segurança e minimizou as chances de perdê-lo!
Quando os botões de suas roupas foram desabotoados, o livro que estava colado nas costas de Lumian perdeu o apoio e caiu no chão.
Estava cheio de buracos e em farrapos, muito longe de seu estado anterior.
Lumian o reconheceu como o caderno de exercícios “Documentos de exame simulado para admissão no ensino superior” que sua irmã Aurore havia preparado para ele. Este era o mesmo livro que salvou sua vida ao bloquear um ataque de espingarda.
É claro que este único livro não merecia todo o crédito.
Lumian pegou o caderno de exercícios e voltou para o corpo sem vida do monstro, com um sorriso irônico no rosto.
— Veja, conhecimento é realmente poder! — ele disse, pretendendo jogá-lo na cara do monstro. Mas então hesitou, lembrando-se das incontáveis horas que Aurore passou escrevendo. Ele não teve coragem de jogá-lo fora.
Em vez disso, enfiou o caderno no cinto, arrastou o cadáver do monstro para a armadilha e jogou-o dentro. Lumian chutou a cabeça do monstro para garantir.
Com o campo de batalha limpo, Lumian reuniu suas ferramentas, incluindo a espingarda vazia, o tridente e a pá, e retirou-se para a floresta.
Ele olhou por cima do ombro enquanto caminhava, sempre vigilante.
Eventualmente, voltou para sua casa, subiu as escadas e entrou em seu quarto.
Foi só então que realmente relaxou. A agonia que atormentava seu corpo, o desconforto óbvio e a exaustão avassaladora irromperam ao mesmo tempo.
Ele caiu na cama, demorando um momento para se recuperar. Mas não queria dormir ainda. Precisava avaliar os danos. Lumian tirou a roupa e foi até o guarda-roupa, olhando-se no espelho de corpo inteiro.
Seu pescoço estava inchado e as cinco marcas de dedos ensanguentados nele tinham adquirido um tom sinistro de preto azulado. Suas costas estavam machucadas e havia inúmeros arranhões e cortes por todo o corpo.
“Até mesmo alguns dos meus ferimentos são internos, assim como Aurore me avisou. Será que vou me recuperar na próxima vez que entrar?” Ele não pôde deixar de refletir sobre a batalha. Foi um fracasso, mas não um fracasso total.
Na primeira metade da batalha, ele consolou-se. Não apenas fez uso total do baixo QI do monstro para levá-lo à segunda armadilha, mas também seguiu seu plano original ao máximo. Era um jogo de gato e rato, e ele jogava com perfeição. Ele arrastou o monstro até que estivesse prestes a se render aos ferimentos. No entanto, sua falta de experiência foi sua ruína. Em vez de atirar pedras pesadas, optou por esfaquear o monstro com um forcado no fundo do buraco.
Na segunda metade da batalha, estava confiante demais e subestimou a inteligência do monstro. Sua insuficiente experiência de combate o fez cair na armadilha do monstro, que quase o matou.
Esse desempenho teria sido um desastre. Felizmente, seus sucessos anteriores levaram o monstro ao seu limite e não o mataram com rapidez suficiente. Isso lhe deu a chance de completar sua meditação e invocar sua característica especial.
Antes desta batalha, Lumian não esperava que a característica especial tivesse um efeito tão poderoso. Ela fez com que o monstro caísse em um medo incontrolável, tão paralizado apesar de sofrer ataques.
Ele temia que o estado de quase morte provocado pela convocação da característica especial o tornasse vulnerável a ataques.
“Mas acabou sendo especial e muito forte…” Ao suspirar, Lumian teve uma revelação.
Os monstros nas ruínas evitaram sua casa e fizeram dela uma zona segura porque havia algo ainda mais assustador lá dentro. Poderia ser o dono da voz misteriosa que ouviu quando convocou a característica especial!
Lumian engasgou com o pensamento.
Seu subconsciente o incentivou a procurar em todos os cantos da casa aquela coisa aterrorizante, mas rapidamente descartou a ideia.
Provocar o ser contra o qual até mesmo o monstro empunhando a espingarda estava indefeso não era uma opção.
Por enquanto, tudo estava calmo e em paz, e era melhor continuar assim. Ele tinha que manter o estado atual da casa segura e não descobrir os segredos.
O tempo não parava, e quanto aos perigos que poderiam estar por vir, ele os enfrentaria quando chegasse a hora.
“Não, não até eu me tornar um Beyonder e ganhar um poder significativo.” Lumian olhou para o saco de pano na mão esquerda.
Mesmo enquanto Lumian examinava seus ferimentos no espelho, sem camisa, ele se recusava a abandonar a fonte dos superpoderes. Ele havia trabalhado muito duro para obtê-lo.
“Como devo usar essa coisa?” ele se perguntou, abrindo o saco de pano e olhando para a mancha vermelha escura dentro dele.
A bolha ainda estava no fundo do saco, sua forma instável, mas claramente não viva.
Lumian, que nada sabia de misticismo, questionou-se se deveria comê-lo, realizar um ritual para se fundir com ele ou oferecê-lo a alguma entidade secreta.
Ele só conhecia as duas últimas opções ao ler Véu Oculto. No passado, ele só teria pensado em uma coisa: — Coma!
Lumian não se apressou em tomar uma decisão. Pretendia procurar primeiro o conselho da enigmática mulher do Antigo Bar.
Ele estava convencido de que a mulher lhe daria pistas sobre como aproveitar o poder da esfera vermelha escura e ganhar habilidades sobre-humanas.
Lumian percebeu que a outra parte tinha um motivo para fazer isso, apesar de não saber qual era.
Se as coisas não dessem certo, ainda poderia contar com a ajuda de sua irmã.
Depois de se vestir tranquilamente, Lumian guardou o pedaço vermelho no bolso do casaco, junto com todo o dinheiro que havia adquirido.
Finalmente, deitou na cama, exausto demais para se mover. Apesar da agonia em seu pescoço, costas e corpo, uma fadiga avassaladora tomou conta dele e ele adormeceu num piscar de olhos.
Ao abrir os olhos, Lumian ficou cego pela luz do sol que já havia penetrado pelas cortinas, iluminando todo o quarto.
Sentando-se lentamente, sentiu todo o corpo dolorido, como se tivesse levado uma surra em um sonho.
“Eu realmente fui espancado… Os ferimentos no sonho realmente se refletem na realidade, mas há um nível óbvio de enfraquecimento…” Tentando se movimentar, ele sentiu seus músculos doerem um pouco, mas finalmente ficou aliviado por não ter sido muito afetado.
No entanto, quando ele enfiou a mão nos bolsos…
— Nada… Nada mesmo! — Lumian não conseguiu sair com a bolha carmesim.
Sua expressão tornou-se solene, suas sobrancelhas franzidas com força. Lumian não sabia o que fazer.
A bolha carmesim, um item que prometia superpoderes, não o acompanhou até a realidade. Isso era diferente do que a misteriosa mulher do Antigo Bar havia dito.
Lumian se recompôs, trocou de roupa rapidamente e saiu do quarto.
Enquanto caminhava pelo corredor, percebeu que a porta do banheiro estava aberta. Aurore estava de frente para o espelho, escovando os dentes com uma expressão séria no rosto.
— Bom dia, — Lumian cumprimentou.
— Não está cedo. Você acordou tarde… — Aurore murmurou incoerentemente.
Splash! Seu cabelo loiro, preso em um rabo de cavalo, balançava enquanto ela cuspia o líquido na boca.
Ela se virou para olhar para Lumian.
— O que você fez de errado ontem à noite?
— Aquela coruja está lá fora. Como eu ousaria sair? — Lumian respondeu calmamente.
— Isso é verdade. — Aurore abandonou o assunto e disse: — Lembre-se de levar cinco verl d’or ao administrador para enviar um telegrama mais tarde.
Lumian assentiu.
Esta era a chave para escapar de Cordu e era algo que ele nunca esqueceria.
Após o café da manhã, Lumian foi direto para a praça da vila, onde ficava o escritório do administrador em um prédio de dois andares.
Ao chegar ao escritório, Lumian descobriu que o Administrador Béost ainda não havia chegado, mas o restante da equipe já havia iniciado o trabalho do dia.
Lumian pagou a taxa exigida e prontamente enviou um telegrama. Depois de concluir seus negócios, Lumian virou-se e começou a caminhar em direção ao Antigo Bar.
Era altamente improvável que a mulher enigmática já estivesse de pé, mas Lumian estava mais do que feliz em esperar a hora certa.
Sua busca por superpoderes havia sido prolongada, então mais alguns tiques no relógio não o perturbaram.
Circle of Inevitability - Capítulo Vinte e cinco: – Sequências e Poções.
Lumian entrou no Antigo Bar, seus olhos penetrantes examinaram o lugar mal iluminado. Para sua surpresa, a misteriosa mulher já estava sentada em seu canto habitual, saboreando um farto café da manhã.
Ela havia mudado de roupa mais uma vez, vestindo um longo vestido marrom plissado e um chapéu de veludo escuro que gritava ser da alta sociedade.
— Tão cedo? — Lumian se aproximou da mesa dela, acalmando seu coração acelerado.
A mulher olhou para cima, encontrando seu olhar.
— Existe a possibilidade de eu não ter dormido a noite toda?
— Talvez. — Lumian conhecia essa rotina muito bem: sua irmã, Aurore, muitas vezes passava a noite inteira quando os prazos de escrita estavam se aproximando. Mas qual foi a razão para a mulher enigmática falar isso?
Ao olhar para a mesa dela, encontrou uma pasta deliciosa, com um suflê de creme polvilhado com nozes, um muffin que parecia delicioso, um croissant, uma xícara de café preto e um biscoito de língua de gato.
“Que apetite!” Lumian pensou, impressionado. Mas como Cordu pode oferecer uma cozinha tão luxuosa? Somente Aurore ou os chefs da família do administrador poderiam preparar algo assim.
— É tudo sobremesa, — disse Lumian, sentando-se à sua frente.
A mulher assentiu, sua expressão séria pela primeira vez.
— As sobremesas do Intis não são realmente ruins e há muita variedade. Mesmo que eu tome algumas no café da manhã todos os dias, vou levar um mês sem repetir para terminar todas, — disse ela, mordendo o biscoito língua de gato. e fechando os olhos em êxtase. — Esse é um dos propósitos da viagem.
Lumian aproveitou o momento para investigar o passado da mulher. — Você não é de Intis? — ele perguntou.
A mulher sorriu enigmaticamente.
— Sou de Loen, mas dada a situação atual, isso não é importante.
“O que mais Loen tinha a oferecer além de máquinas a vapor, fábricas e um grande exército?” Lumian, sendo um Intisiano, não pôde deixar de se lembrar das palavras zombeteiras que todos usavam para insultar o Reino de Loen: cadeiras reclináveis, molho de menta, peixe frito e batatas e pura cerveja de fruta.
Mas ele rapidamente descartou o pensamento e voltou sua atenção para a tarefa em questão.
— Eu me livrei do monstro com a espingarda.
A mulher tomou um gole de café e acenou com a cabeça em aprovação.
— Nada mal.
Lumian sentiu uma emoção estranha emanando de seus olhos.
Ele não conseguia se livrar da estranha sensação que sentiu em suas interações anteriores. Havia algo nela que ele não conseguia identificar — uma mistura de jocosidade e emoções ocultas que o intrigava.
Implacável, ele prosseguiu com o assunto em questão.
— Obtive um objeto vermelho escuro anormal daquele monstro. Segurá-lo me deixa irritado e cheio de hostilidade.
— Acho que envolve poderes sobrenaturais, mas não me acompanhou até a realidade, — explicou.
A mulher sorriu enigmaticamente.
— Depois de entrar e sair tantas vezes, você não percebe que além de sua própria condição física, você não pode trazer mais nada?
Lumian ficou surpreso. — Você não disse que coisas sobrenaturais estão excluídas… — ele parou, percebendo que estava perdido.
Lumian não conseguia se livrar do desconforto físico que permanecia em seu sonho, junto com as memórias vívidas que se recusavam a desaparecer.
Após consideração cuidadosa, ele fez uma pergunta.
— Você quer dizer que depois de obter poderes sobrenaturais através da bolha carmesim e se transformar em um Beyonder, o estado correspondente que é diferente daquele de uma pessoa normal pode ser trazido à realidade?
— Não é uma causa perdida, — ela respondeu com indiferença, saboreando o suflê de creme.
— Mas a força correspondente não enfraquecerá por causa disso? Lumian pressionou, franzindo a testa. — Os ferimentos que sofri no sonho são muito mais leves na realidade.
— As condições trazidas pelas características de Beyonder não mudarão, — explicou a mulher, encontrando o olhar de Lumian. — É por isso que eu disse que itens extraordinários estão excluídos.
“Características de Beyonder…” Lumian refletiu sobre o termo, tentando juntar as peças do que sua irmã havia lhe contado sobre Beyonders.
“A obtenção de tais características permitiria que alguém se tornasse um Beyonder,” ele supôs.
E com base na explicação da mulher, ele teve um palpite sobre a natureza única do seu sonho.
“Essa ruína é real. Ou talvez já tenha sido real, mas agora está profundamente mergulhado no sonho de algum figurão e foi deixado para apodrecer. E meu sonho é como uma passagem secreta. Uma passagem que só é acessível através dos símbolos no meu peito e leva direto para aquela ruína.”
“Com base na minha teoria, minha casa no sonho é como uma marca deixada por nossa interação. É um reflexo do lugar onde me sinto mais seguro, no fundo do meu subconsciente. É por isso que não se parece em nada com a natureza selvagem ou com as ruínas que a rodeiam. É como se estivéssemos em dois mundos diferentes, eu e os monstros.”
“Mas esses monstros não podem entrar. Eles estão presos nas ruínas reais enquanto minha casa é uma mistura de sonho e realidade. Somente aqueles com símbolos especiais podem passar pela barreira correspondente.”
“Os símbolos só funcionam para mim e registram o estado do meu corpo antes de eu voltar à realidade. Quando eu acordar, as coisas que não envolvem o sobrenatural desaparecerão, mas as implicações permanecerão. Até a morte funcionará da mesma maneira.”
“Portanto, não deveria haver nada assustador esperando por mim em casa no sonho. Mas a origem desses símbolos e a fonte daquela voz aterrorizante simbolizam algo sombrio e horrível…”
Lumian ficou sentado em silêncio, observando a mulher à sua frente devorar seu café da manhã sem pressa. Ela não pareceu se importar.
Lumian finalmente perguntou, recuperando a compostura: — Posso perguntar como devo usar aquela bolha vermelha escura? É a característica de Beyonder que você mencionou?
No momento crítico, ele não pôde deixar de se dirigir a ela respeitosamente.
A mulher largou o café e olhou para ele.
— Eu posso te dar uma fórmula de poção. Basta segui-la.
O presente generoso deixou Lumian inquieto.
— Por que você está me ajudando?
A mulher riu.
— Você acreditaria em mim se eu dissesse que é por causa do destino?
“Não…” Lumian respondeu sem perceber mentalmente.
A anormalidade na aldeia, a pressão da tempestade iminente e o desejo por superpoderes giravam em torno de Lumian, ameaçavam dominá-lo. Ele suprimiu seu desconforto e falou em voz baixa: — Eu aceito.
Oportunidades como essa não apareciam com frequência e Lumian sabia que precisava agir de forma decisiva. Ele não podia se dar ao luxo de hesitar ou ter dúvidas.
O sorriso da mulher se alargou, as emoções obscuras que ele havia detectado em seus olhos anteriormente se intensificaram.
Ela tirou uma pilha de post-its e uma caneta-tinteiro prateada da bolsa e começou a escrever.
Finalmente, ela parou, arrancou a nota de cima e entregou a ele.
Lumian pegou e leu rapidamente.
“Fórmula da poção do Caçador:”
“Ingrediente principal: Uma característica de Beyonder do Caçador;”
“Ingredientes complementares: 80 mililitros de vinho tinto, uma Flor da Castanha Vermelha (pode ser uma amostra ou substituída por 10 gotas da essência correspondente), 5 gramas de pó de Folha de Choupo, 10 gramas de manjericão;”
“Uso: Beba diretamente.”
Satisfeito com a memorização, Lumian dobrou cuidadosamente o bilhete e guardou-o no casaco marrom.
Feito isso, ele perguntou, incapaz de conter sua curiosidade: — O que significa ‘Caçador’?
“Caçador no sentido sobrenatural?”
— A Sequência correspondente, — respondeu a mulher, tomando um gole casual de seu café. — Você não sabe muito sobre misticismo, então deixe-me explicar. Existem 22 caminhos comuns no mundo. Para acessá-los, você deve obter ingredientes com as características de Beyonder correspondentes e preparar poções. Cada caminho tem 10 Sequências, numeradas de 9 a 0. Quanto menor o número, maior o nível e mais forte a habilidade.
— A característica de Beyonder que você obteve pertence ao caminho do Sacerdote Vermelho. Ela só pode ser usada para produzir a poção de Caçador da Sequência 9 correspondente.
Lumian ouviu com atenção e deixou escapar: — Então a que sequência pertence minha irmã Aurore?
— Ela é uma Sequência 7: Bruxo do caminho do Eremita, — a mulher respondeu friamente.
Nota: em Lord of Mysteries 1 eu traduzi “warlock” como feiticeiro, simplesmente porque no português nao tem muitas variações pra usar… e como o foco nao era no caminho do caçador ou outros caminhos… acabou que teve muitas sequencias nao mencionadas que só encontramos na WIKI de Lord of Mysteries, mas em Lord of Mysteries 2: Circle of Inevitability ‘Warlock’ será “bruxo”, e para não confundir com a sequência 7 do caminho do assassino (Bruxa), nesse caminho será usado apenas “Bruxo” para definir a sequência.
Ela não mencionou como ela sabia.
“Aurore já está na Sequência 7? Isso é verdade. Ela já obteve poderes sobrenaturais há vários anos… Só estarei na Sequência 9 depois de consumir a poção. Ainda estou bem longe dela… Só espero não ser um fardo quando escaparmos de Cordu no futuro…” Lumian não pôde deixar de perguntar: — Posso beber poções de Beyonder de Sequência superior diretamente? beber a Sequência 9 hoje e a Sequência 8 amanhã?
— Teoricamente, sim. — A mulher acrescentou depois que Lumian revelou um olhar de alegria: — No entanto, a maioria dos que tentam isso acabam mortos ou como um monstro. Menos de uma em cada dez milhões de pessoas consegue.
— Transformar-se em monstros? — Lumian ficou alarmado.
A mulher riu e disse: — Sua irmã não te avisou sobre os perigos do caminho para a transcendência? Depois de beber a poção, se você não conseguir controlar o poder, você morrerá de um colapso físico ou se transformará em um monstro. Por que você acha que aquele que você encontrou tinha em forma humana?
“Não admira…” Lumian finalmente entendeu de que perigo sua irmã estava falando.
Mas ele estava disposto a enfrentar isso.
— Não há como reduzir esse perigo? — ele perguntou.
A mulher o considerou por um momento antes de responder: — Existe. Você precisa de uma vontade firme, boa condição física e um pouco de sorte. Quanto ao resto, você não precisa saber. Você ainda está tomando a primeira poção.
— Boa condição física… — Lumian, que planejava voltar para recuperar o sono e beber a poção mais tarde, franziu a testa.
Ele ainda estava gravemente ferido no sonho.
A mulher à sua frente assentiu levemente e disse: — Não tenha pressa. Espere até o anoitecer e seu corpo estará quase totalmente recuperado antes de voltar aos seus sonhos.
— Uh… — A mente de Lumian fervilhava de perguntas. — Então, enquanto meu corpo estiver quase curado na realidade, os ferimentos do meu sonho irão se recuperar completamente?
Era preciso saber que seu corpo, na realidade, estava apenas um pouco dolorido. Era completamente diferente dos ferimentos do sonho!
— Sim. — A mulher confirmou o palpite de Lumian.
Ela continuou: — Há muito o que aprender sobre a poção e os caminhos divinos. Eu lhe direi quando você se tornar um Caçador.
“Os caminhos divinos…” Lumian perguntou perplexo: — Por que não me conta agora?
A mulher riu.
— Se você morrer ou se tornar um monstro, seria uma perda de tempo dizer tanto agora.
— … — Lumian ficou sem palavras.
Lumian se levantou e pediu licença, mas antes de sair perguntou mais uma coisa.
— Você sabe sobre a anomalia na aldeia?
Circle of Inevitability - Capítulo Vinte e seis: – Denúncia.
A mulher mordiscou um croissant antes de responder à pergunta de Lumian.
— Sim.
“Ela realmente sabe…” O coração de Lumian saltou de esperança. Ele refletiu sobre suas palavras antes de perguntar, usando títulos honoríficos para mostrar seu respeito: — Posso oferecer pagar um determinado preço para encomendar sua ajuda na solução do problema de Cordu?
Do ponto de vista dele, essa misteriosa mulher era muito mais forte que Leah e seus companheiros. Se ela concordasse em ajudar, o problema com Cordu seria resolvido e ele e a irmã não teriam que arriscar a vida para escapar. Mas ele estava preocupado por não poder pagar o preço.
Lumian não estava otimista quanto à possibilidade de a mulher concordar em ajudar. Mas ele sentiu que era necessário tentar. Mesmo se fosse rejeitado, ele não ficaria muito envergonhado. Ele não era um defensor dessas coisas.
A mulher virou-se para ele e falou calmamente: — Posso resolver o problema aqui, mas o preço correspondente é que tudo será destruído, inclusive você.
— Se você quer um resultado melhor, só pode confiar em si mesmo.
Os olhos de Lumian se arregalaram em descrença. O problema com Cordu poderia ser tão sério? Ele procurou no rosto da mulher qualquer sinal de brincadeira, mas não encontrou nenhum.
Ele não ficou surpreso ou desapontado por ela se recusar a ajudar. O que o chocou foi a gravidade do problema. Poderia até levar à destruição de toda a vila!
Ele ficou intrigado e alarmado com a situação. “Já que ela pode resolver isso, por que toda a vila morrerá, enquanto nós, pessoas comuns e Beyonders, que não somos fortes o suficiente, somos capazes de produzir um resultado melhor?”
Se ele não recebesse uma resposta da Novel Semanal depois de amanhã, ele pediria à irmã que deixasse Cordu imediatamente. Não poderia demorar mais, mesmo que isso significasse correr um risco enorme! Ele tinha que agir rápido!
— Qual é o problema? — Lumian pressionou, sua dignidade nunca foi uma prioridade.
A mulher sorriu.
— Eu contando a você e você descobrindo através de suas investigações dará origem a resultados completamente diferentes.
Lumian cerrou os dentes instintivamente. Ele não suportava o comportamento dela de sempre esconder alguma coisa.
Por alguma razão, sentiu aquela sensação peculiar nos olhos da mulher, algo que ele não conseguia definir.
— OK. — Lumian parou por um momento, pesando cuidadosamente suas palavras. — Você tem alguma informação sobre Madame Pualis? Ela é uma Bruxa… uh, uma Beyonder?
A mulher levou a xícara de café aos lábios e tomou um pequeno gole antes de responder: — Sim, ela é.
“Na verdade…” Lumian perguntou ainda: — Qual caminho, qual sequência?
A expressão da mulher ficou séria num instante.
— Não é um caminho normal.
— O que você quer dizer com não é um caminho normal? — ele pressionou.
A mulher sorriu.
— Você descobrirá mais tarde.
“Quero saber agora…” Lumian lutou para manter a expressão sob controle.
Já de pé e prestes a sair, Lumian de repente se lembrou de algo crucial.
— Madame, como vou trazer esses ingredientes complementares para o sonho?
Nas ruínas dos sonhos, ele só conseguia encontrar ingredientes básicos como vinho tinto e manjericão nas ruínas dos sonhos, mas para a flor da castanha vermelha e a folha de choupo, ele teria que coletá-los na realidade.
A tarefa não era impossível e Lumian já havia pensado em uma forma de “pegá-los” emprestados, mas sabia que tudo seria em vão se não conseguisse transferi-los para o seu sonho.
A mulher sorriu e disse: — Vou lhe oferecer uma ajudinha novamente, de graça.
— Encontre esses materiais na realidade, coloque-os na mesa do seu quarto antes de dormir. Vou ajudá-lo a enviá-los para o seu sonho.
“Ela pode enviar essas coisas para o meu sonho?” Lumian ficou primeiro chocado antes de sentir uma onda de alívio tomar conta dele. Pelo menos seu problema foi resolvido.
Ele nunca pensou que encontraria outra pessoa com a habilidade de entrar no mundo especial dos sonhos como ele poderia.
Lumian não conseguia afastar a sensação de que sua capacidade de entrar nas ruínas dos sonhos tinha algo a ver com os símbolos enigmáticos gravados em seu peito. Ao olhar para a mulher à sua frente, ele não pôde deixar de se perguntar se ela estava ligada àquelas mesmas marcas ou àquela voz bizarra e aterrorizante que ecoava em sua mente.
Lumian tinha acabado de sair do Antigo Bar e tinha planos de coletar a Flor da Castanha Vermelha e as Folhas de Choupo.
Mas ao virar a esquina, viu Ryan, Leah e Valentine saindo pela porta dos fundos do bar. Eles ainda estavam vestidos com as mesmas roupas e trajes.
O coração de Lumian acelerou quando ele os cumprimentou com um sorriso.
— Bom dia, meus repolhos.
Leah virou a cabeça e riu em meio aos sons tilintantes.
— Você também chegou cedo.
Lumian tentou agir sorrateiramente e olhou em volta antes de falar em voz baixa.
— Percebi algo incomum ontem.
A expressão de Ryan ficou séria enquanto trocava olhares com Valentine e Leah.
— O que é?
A voz de Lumian tremeu ligeiramente enquanto ele falava.
— Suspeito que a morte de Naroka seja anormal. Você compareceu ao funeral dela ontem.
Ryan lançou a Lumian um olhar encorajador para continuar, e Lumian respirou fundo antes de prosseguir com suas suspeitas.
— Eu te falei sobre os costumes funerários na região de Dariège, não foi? Depois que todos foram ao cemitério, Pons Bénet entrou na casa de Naroka sem qualquer objeção do proprietário.
— Isso não está destruindo a influência do destino da família e tirando a providência correspondente?
— Deve haver algo errado!
— Pons Bénet, o irmão do padre? — Ryan pensou por alguns segundos e perguntou.
Lumian assentiu pesadamente.
Enquanto Lumian pensava no estranho grupo do padre e em sua partida iminente de Cordu, percebeu que não tinha nada a temer em falar o que pensava. Respirando fundo, declarou: — O padre não é um bom homem!
— Por que você diz isso? — Leah perguntou com um sorriso, claramente surpresa com as críticas de Lumian ao padre.
Não gostando de formalidades, Lumian lançou um relato detalhado de um aldeão que delatou em Dariège e posteriormente desapareceu. Seu foco estava nas acusações contra o padre e ele não escondeu nada.
Finalmente, ele disse: — Eu realmente questiono como ele é um clérigo da Igreja.
— Uma vez eu disse algo verdadeiro e tive que me esconder temporariamente na catedral.
— Eu estava prestes a cochilar atrás do altar quando o padre entrou com Madame Pualis. E deixe-me dizer, eles estavam cometendo uma ação suja bem sob o olhar da divindade.
— Na conversa que se seguiu ao feito, o padre chegou a lamentar-se com Madame Pualis, dizendo: ‘Por que um homem não pode casar com a irmã?’
— Madame Pualis ficou chocada com suas palavras e implorou ao padre que se arrependesse.
— No entanto, o padre disse: ‘Muitas famílias ricas perdem suas fortunas quando suas filhas se casam e seus filhos constituem famílias. Mas se um filho pudesse se casar com sua irmã, esses problemas desapareceriam. Infelizmente, a lei e a moral não permitem isso’…
O rosto frígido de Valentine se contorceu de raiva com a notícia.
— Ele é um servo de Deus ou um servo do Demônio?
Ryan assentiu como se estivesse pensando.
— Não é de admirar que Pons Bénet não tenha conseguido constituir família, apesar de estar casado depois de todos esses anos…
Leah examinou Lumian enquanto ela ria.
— Você sabia sobre Madame Pualis e o caso do padre. Você queria nos usar naquele dia.
O sorriso de Lumian era inquieto, mas seu tom era resoluto.
— Como crente no Eterno Sol Ardente, não posso tolerar tal pessoa na catedral.
A expressão fria de Valentine suavizou-se e ele assentiu com aprovação.
— Se ao menos Cordu tivesse mais pessoas como você.
“Mais alguns como eu?” Lumian estremeceu ao pensar em Cordu invadida por mais pessoas como ele.
Ele continuou: — Naquela época, ouvi o padre avisando Madame Pualis que ele estava planejando algo e poderia ser alvo da Inquisição. Ele disse a ela para ter cuidado e ficar quieta.
A expressão de Ryan tornou-se solene.
— Ele disse mais alguma coisa sobre isso?
— Não. — Lumian não inventou o assunto.
Ele não podia arriscar dizer mais do que isso. Se dissesse, problemas poderiam surgir esta noite. Ele nem era um Beyonder ainda.
Depois de se despedir do trio de estrangeiros, Lumian passou horas colhendo Flores de Castanha Vermelha e Folhas de Choupo.
À medida que o sol se aproximava do seu ápice, Lumian chegou à praça da aldeia e dirigiu-se ao edifício de dois andares onde eram realizados os negócios oficiais.
A maioria dos aldeões já estava reunida, aguardando ansiosamente a seleção da Elfa da Primavera, uma parte importante da próxima celebração da Quaresma de amanhã.
Espremendo-se no meio da multidão, Lumian avistou Reimund, Ava e os outros.
— Ava está na lista? — ele perguntou.
Ava permaneceu em silêncio, sua agitação era palpável. Reimund balançou a cabeça. — Não sabemos.
— Ela deve estar, — interveio Guillaume Berry, companheiro frequente de Lumian e dos outros. — Entre as mulheres solteiras da aldeia, além de sua irmã, ela é a mais bonita. Sua irmã não atende aos requisitos de idade.
Ele era o Guillaume-júnior de quem Lumian e os outros falavam. Ele saía com eles frequentemente. Guillaume tinha cabelos castanhos cacheados e sardas proeminentes no rosto. Seus olhos azuis pareciam estreitar porque não eram grandes o suficiente.
A prima de Ava, Azéma, também estava por perto, parecendo muito com Ava, mas menor e menos impressionante.
Ela permaneceu em silêncio, mas Lumian sentiu seu desejo de ser escolhida como Elfa da Primavera também.
Na área de Dariège, ser escolhida como a Elfa da Primavera era uma honra cobiçada que não apenas reconhecia a beleza e o caráter de uma pessoa, mas também trazia benefícios ocultos.
Ao ouvir as palavras de Guillaume-junior, Lumian sorriu.
— Se Ava não estiver na lista, gritarei: ‘Eu voto em Ava!’ quando o administrador terminar de ler.
Ava corou. — Você não precisa fazer isso.
Era um processo normal para os aldeões gritarem candidatos adicionais depois que o administrador terminasse de ler a lista de indicados para a Elfa da Primavera. No entanto, poucos tinham coragem. Lumian, no entanto, não se esquivava de tais coisas.
Ele não tinha dúvidas sobre isso.
“Ava será quem ficará envergonhada, não eu.”
Pouco depois, o administrador Béost apareceu numa janela do segundo andar, parecendo muito mais arrumado do que o padre. Seus cabelos castanhos bem penteados, olhos azuis claros com linhas pretas, nariz reto, lábios finos e bigode bem cuidado transmitiam seu status, acentuado por seu casaco trespassado.
Ele olhou para os aldeões reunidos por um momento antes de falar.
— Senhoras e senhores, chegou a hora. Quem se atrasar não terá mais direito de voto.
— A seguir, lerei a lista de candidatas para Elfa da Primavera.
— Ava Lizier…
Enquanto Béost lia a lista, Ava deu um suspiro de alívio.
Não é novidade que ela recebeu mais de 80% dos votos.
Após a votação, Lumian deu uma desculpa sobre a necessidade de voltar para casa e saiu sem comemorar com os companheiros.
Ao chegar em casa, ele imediatamente perguntou à irmã: — Recebemos resposta?
Se tivessem, o telegrafista a teria entregue e cobrado uma taxa.
— Ainda não, — respondeu Aurore, balançando a cabeça.
Ela então disse: — As tendências têm sido turbulentas ultimamente. Você não pode baixar a guarda durante o treino de combate. Falando nisso, vamos treinar à tarde.
Lumian estremeceu, sentindo-se todo dolorido.
Mas então uma ideia lhe ocorreu. Ele fez uma expressão de dor e disse:
— Não sei se é porque tenho treinado muito, mas todo o meu corpo está doendo hoje. Aurore, uh, irmã, você pode me fazer uma massagem?
Aurore assentiu. — Claro, eu posso fazer isso.
Sob as mãos habilidosas de sua irmã, o corpo de Lumian finalmente começou a se recuperar naquela noite.
Antes de adormecer, Lumian colocou três flores de castanha vermelha e algumas folhas de choupo em pó em uma garrafa sobre a mesa em frente à janela.
Ele olhou para a garrafa por um longo momento, seu coração batendo com expectativa e nervosismo, antes de finalmente se enfiar sob as cobertas.
Circle of Inevitability - Capítulo Vinte e sete: – Cinco Mudanças.
Quando Lumian acordou na névoa cinza, seu primeiro instinto foi não verificar sua condição física. Em vez disso, sentou-se abruptamente e olhou para a mesa perto da janela.
Ali, banhadzs pela luz suave que se filtrava pela espessa névoa, estavam as três Flores de Castanha Vermelha e o frasco de vidro com pó de folha de choupo.
“Ela realmente enviou os ingredientes suplementares…” O alívio inundou Lumian. Ele saiu da cama e se espreguiçou, encantado ao descobrir que a dor no pescoço e nas costas havia desaparecido, junto com o desconforto geral que vinha sentindo.
“Assim como eu esperava, estou bem no sonho quando estou melhor na realidade, mesmo que os ferimentos em ambos os lados não sejam iguais…” Ele caminhou rapidamente até o guarda-roupa com o espelho de corpo inteiro, tirou o camisa e examinou-se.
As cinco marcas de dedos ensanguentados, os hematomas e os coágulos sanguíneos desapareceram.
Isso fez Lumian se perguntar se matar o monstro Beyonder não passou de um sonho.
Felizmente, o objeto carmesim no saco de pano, a quantia um pouco maior de dinheiro e a espingarda ao lado de sua cama confirmaram a realidade de sua experiência.
O coração de Lumian se acalmou. Com o saco de pano contendo o item carmesim e uma grande quantia em dinheiro, ele saiu do quarto e foi direto para o primeiro andar. Pegando uma garrafa de vinho tinto e uma caneca de cerveja, ele voltou com um pouco de manjericão.
Fez questão de trazer um cilindro medidor e uma balança em miniatura que sua irmã Aurore havia comprado para seus estudos.
Olhando para a mesa cheia de todos os itens necessários, Lumian sentiu-se ao mesmo tempo animado e nervoso.
Com tudo no lugar, só faltava preparar a poção!
Poções não eram bebidas. Eram mais perigosas que o álcool, capazes de matar ou transformar o bebedor em monstro ao menor erro.
Lumian respirou fundo e exalou lentamente, com as mãos firmes enquanto usava o cilindro medidor para despejar 80 mililitros de vinho tinto na caneca de cerveja.
Em seguida, adicionou 10 gramas de manjericão, 5 gramas de folha de choupo em pó e uma única flor de castanha vermelha.
O processo transcorreu sem incidentes. O líquido vermelho na caneca tinha mais alguns resíduos e uma flor flutuante, mas, por outro lado, parecia normal.
Com o saco de pano com substância carmesim ao seu lado, Lumian observou atentamente enquanto o objeto deslizava para dentro da caneca de cerveja.
Sem emitir nenhum som, a bolha vermelho-escura pareceu se dissolver rapidamente, absorvendo o líquido circundante no processo.
Bolhas explodiram e toda a caneca ficou com um tom profundo de vermelho. A Flor da Castanha Vermelha havia se dissolvido completamente.
“Esta é a poção Caçador?” Lumian engoliu em seco e pegou sua caneca de cerveja.
O poder sobrenatural que ele buscou por tanto tempo finalmente estava ao seu alcance.
Sem hesitar, respirou fundo e se preparou para o que estava por vir. Levando a caneca aos lábios, ele bebeu a poção de um só gole.
O odor pungente de sangue encheu suas narinas e ele começou a ouvir coisas.
Ao pousar a caneca, uma dor lancinante percorreu seu corpo, tão intensa que Lumian se perguntou se havia engolido uma bola de fogo. As chamas pareciam queimar seu esôfago, estômago, coração, pulmões, intestinos e veias, tudo de uma vez.
Ao mesmo tempo, um forte cheiro de sangue subiu de sua garganta.
Lumian lutou para permanecer consciente, lembrando-se do aviso da mulher de que desmaiar significaria derrota. Ele sabia que os riscos eram altos e que o resultado seria óbvio se ele falhasse.
Sua cabeça girou quando ele a abaixou, olhando para as veias vermelhas brilhantes que se projetavam nas costas de sua mão.
A dor e a queimação vieram em ondas, mas rapidamente começaram a diminuir. Mas assim que pensou que tudo havia acabado, uma voz misteriosa ecoou em sua mente, como se viesse de uma distância infinita e bem ao lado dele.
O som era como espinhos de aço perfurando seu cérebro, agitando-o com força.
De repente, a experiência de quase morte que ele havia enfrentado antes retornou, e a dor e a queimação aumentaram mais uma vez.
Lumian cerrou os dentes e os punhos, sentindo como se algo estivesse tentando sair de sua carne.
A névoa cinza ao seu redor pareceu engrossar.
O som aterrorizante que enchia seus ouvidos desapareceu lentamente, e a contorção de sua carne e sangue desapareceu como uma ilusão.
A dor insuportável, a sensação de queimação e o cheiro metálico de sangue se dissiparam, deixando Lumian com falta de ar frio enquanto recuperava o controle de seu corpo.
Ele se curvou, com as mãos nos joelhos, ofegando pesadamente ao perceber os verdadeiros perigos de buscar poderes sobrenaturais, como sua irmã o havia alertado.
Uma mera poção da Sequência 9 quase ceifou sua vida!
É claro que inicialmente parecia administrável — perigoso, mas administrável. Mas a voz misteriosa provocada pelo símbolo em seu peito quase o fez desmaiar no momento crítico.
Cada respiração parecia restaurar um pouco de sua força e, em pouco tempo, ele se sentiu totalmente recuperado.
Bang! Lumian cerrou o punho e balançou-o com força, atingindo o ar com uma força que causou um estrondo sônico.
Ele nunca imaginou possuir tal poder antes, e a constatação o encheu de excitação. Em seu pequeno quarto, praticou uma técnica de combate que sua irmã lhe ensinara, cada soco produzindo um som nítido.
Bang! Bang! Bang!
Apesar da comoção, Lumian se movia com precisão e controle, sem tocar em nada ao completar o conjunto de movimentos.
Para sua surpresa, ele não se sentia nem cansado, nem fatigado, mas sim enérgico e vivo.
Ele avaliou sua condição:
“No mesmo nível de Aurore…”
“Em termos de força, velocidade, reação ou controle corporal, todos foram bastante aprimorados. É um pouco desumano…”
“Possuo a força de um urso e a agilidade de um gato. É ligeiramente equivalente à combinação dos dois…”
“Sem a poção, talvez eu nunca fosse capaz de alcançar esse nível de poder em minha vida…”
Mas antes que pudesse terminar a inspeção, Lumian sentiu o cheiro de sangue, com o coração apertado de medo. Instintivamente, cheirou o ar e percebeu que poderia determinar a origem do sangue — ele vinha de seu corpo!
Lumian olhou para baixo e viu que as costas da mão estavam cobertas de manchas vermelho-sangue.
Ele voltou ao espelho de corpo inteiro e percebeu que seu rosto estava igualmente manchado.
Ele limpou um pouco do sangue, mas não encontrou nenhum sinal de ferimento.
Depois de pensar por um momento, Lumian chegou a uma conclusão.
“A poção fez com que os poros de que Aurore falou explodissem? E então eles curaram rapidamente depois que eu absorvi a poção?”
A única explicação para sua condição atual era a influência sobrenatural.
Percebendo que não estava ferido, Lumian deixou o assunto de lado e se concentrou no olfato, que parecia ter sofrido uma mudança significativa.
À medida que ele se concentrava, os aromas ao seu redor eram decompostos e perfuraram seu nariz de várias formas.
“O cheiro de sangue, o cheiro residual de álcool, a fragrância das flores, o cheiro de poeira…” Lumian começou a identificar os aromas ao seu redor um por um, mesmo os mais leves não escapando de seus sentidos aguçados.
Ao mesmo tempo, viu pegadas invisíveis e a distribuição da poeira no quarto, ouviu as batidas do próprio coração e a brisa lá fora de casa…
“A segunda mudança é que as minhas capacidades sensoriais aumentaram exponencialmente, ultrapassando os padrões dos humanos comuns. Não admira que o monstro que encontrei fosse tão habilidoso em rastrear…” Lumian ficou encantado.
Mais importante ainda, essa melhora não interferiu em seu dia a dia e só aparecia quando se concentrava. Assumia apenas a forma de uma versão mais fraca.
Através da experimentação e do autoexame, Lumian descobriu duas outras mudanças provocadas pela poção Caçador.
“A terceira mudança me permite localizar com precisão certos pontos em seu ambiente, como pontos fracos em uma parede, permitindo-me montar armadilhas com mais eficiência e matar meus inimigos — sejam eles humanos, feras ou monstros — de forma mais eficaz.”
A quarta mudança é que tenho mais conhecimento sobre plantas selvagens e órgãos de animais, o que me permite sobreviver melhor na natureza e encontrar rapidamente remédios hemostáticos quando ferido. Posso até fazer veneno para espalhar em armas, se necessário…”
Ao confirmar essas novas habilidades, Lumian não pôde deixar de sentir uma sensação de absurdo.
“Eu realmente consegui matar aquele monstro espingarda?”
O eu atual é muito mais forte que o eu anterior e aquela fera não era muito mais fraca que o eu atual.
Lumian refletiu um pouco e concluiu dois pontos cruciais.
“A habilidade é importante, mas o cérebro é igualmente importante!”
“Explorar um bom ambiente pode efetivamente aumentar minha força!”
Depois de pensar um pouco, Lumian acrescentou interiormente: “Além disso, não posso ser descuidado e perder a paciência em nenhum momento…”
Ele caminhou até a janela e olhou novamente para as ruínas do sonho.
Uma sensação indescritível de opressão, medo e perigo surgiu em seu coração. Isso era algo que nunca havia sentido antes.
“Uh, a quinta mudança é algum tipo de fortalecimento da intuição…” Lumian assentiu gentilmente.
Ele foi ao banheiro e lavou o corpo com água limpa. Vestiu uma roupa limpa e depois deitou-se na cama, com o dinheiro por perto.
Ele queria voltar à realidade o mais rápido possível, ansioso para saber se as habilidades do Caçador permaneceriam com ele ou se seriam enfraquecidas.
Na calada da noite, Cordu ficou estranhamente silenciosa. As nuvens envolveram a lua e as estrelas vermelhas, deixando a escuridão reinar suprema.
Lumian examinou a paisagem noturna e sentiu uma enorme sensação de felicidade.
Ele agora era um Beyonder no mundo real, e seus poderes não haviam enfraquecido em nada em comparação com o reino dos sonhos.
Quando uma intuição o atingiu, Lumian desabotoou a camisa e olhou para o peito.
O símbolo preto parecido com uma corrente de espinhos estava desaparecendo lentamente.
“Também aparece na realidade…” Lumian murmurou, sentindo uma pontada de desconforto.
Ele notou que o símbolo preto-azulado que pairava sobre a corrente espinhosa existia apenas em seus sonhos.
De repente, o coração de Lumian disparou enquanto olhava para o olmo próximo. A lendária coruja do Bruxo estava empoleirada em um galho, observando-o em silêncio.
Circle of Inevitability - Capítulo Vinte e oito: – Leis.
Os olhos amarelo-acastanhados da coruja brilhavam no escuro, fixando-se em Lumian.
Lumian não estava mais tão intimidado como nos encontros anteriores. Ele gritou: — O que você está olhando? Diga alguma coisa se tiver coragem!
Lumian não precisava provocar a coruja, mas esperava que isso revelasse o verdadeiro motivo da coruja. Ele não suportava a ideia da criatura espreitando e olhando para ele na calada da noite.
Para sua surpresa, a coruja permaneceu em silêncio e não emitiu nenhum som.
Depois de alguns segundos tensos, a coruja abriu as asas e voou para a escuridão.
— Maluca! — Lumian soltou uma maldição frustrada, mas não se atreveu a baixar a guarda.
Lumian permaneceu concentrado em examinar as sombras escuras do lado de fora, tentando detectar qualquer sinal de perigo.
Ele lembrou que da última vez que a coruja apareceu, ele viu a figura de Naroka e soube de sua morte no dia seguinte.
“Eu me pergunto se algo semelhante acontecerá desta vez…” Mas após observação cuidadosa, ele não percebeu nada de anormal e deu um suspiro de alívio. Fechou as cortinas e deitou-se na cama.
Na escuridão profunda, Lumian abriu os olhos, contemplando seu próximo movimento.
“Eu me pergunto o que essa coruja está tentando fazer… Ela está agindo de forma tão estranha e misteriosa. Não deveria ser nada de bom…”
“Qualquer que seja. Com a situação da aldeia, tenho que sair com Aurore o mais rápido possível. Não acredito que possa nos seguir até Trier!”
“Se eu não receber uma resposta amanhã, deixaremos Cordu depois de amanhã…”
“Se houver uma resposta, podemos deixar Cordu abertamente pela entrada da aldeia. Se não, teremos que improvisar. Amanhã é Quaresma e todos ainda estarão celebrando depois de amanhã, por isso não atrairemos muita atenção. Aurore pode pegar emprestado o pônei de Madame Pualis e passar algum tempo nas pastagens alpinas próximas. Não precisamos descer a montanha, então isso não deve atrair a atenção dos investigadores. Quando chegar a hora, podemos usar uma trilha perigosa para sair da montanha…”
“O caminho é traiçoeiro, com vários pedaços quebrados no meio. Mesmo os pastores não acham que seja aceitável. No entanto, com minhas novas habilidades e a feitiçaria de Aurore, permitindo que ela voe longas distâncias, será mais fácil para ela do que para mim…”
“Há uma boa chance de conseguirmos enganar os investigadores…”
Tornar-se um Caçador permitiu-lhe fazer o que antes era impossível. Isso deu a Lumian uma nova sensação de confiança, permitindo-lhe formular rapidamente um plano.
Seu coração ficou mais seguro e ele dormiu profundamente.
Na manhã seguinte, Lumian acordou cedo e começou a trabalhar na cozinha.
Seus pensamentos se voltaram para como ele havia se tornado um Beyonder e como estava prestes a deixar a vila anormal de Cordu com sua irmã. O humor de Lumian melhorou e ele até ficou ansioso para cantarolar uma música.
Quando Aurore desceu, já havia duas tigelas de macarrão com carne picada sobre a mesa.
— Como você sabia que eu estava prestes a me levantar? — ela perguntou, satisfeita.
— Comecei a cozinhar macarrão quando ouvi movimento no banheiro. — Lumian sorriu, notando interiormente: “Você fica sempre tonta depois de acordar. Como você não percebe isso?”
Aurore assentiu. Sentada à mesa de jantar, ela perguntou casualmente: — Aquela coruja voou de novo no meio da noite?
— Isso mesmo. — Lumian sabia que sua irmã o havia descoberto olhando pela janela, então o aparecimento da coruja foi uma feliz distração. Caso contrário, ele não tinha certeza de como se explicar.
Ele não podia arriscar contar a Aurore sobre suas novas habilidades Beyonder ainda, já que ele seria repreendido por ela.
No entanto, Lumian planejou divulgar a verdade para sua irmã mais cedo ou mais tarde. Queria evitar que Aurore tivesse considerações que pudessem impedir sua fuga.
Ele planejava contar isso a sua irmã depois de amanhã, quando eles escapassem de Cordu, para evitar que ela desviasse sua atenção para cuidar dele.
Até então, ela não teria tempo para repreendê-lo.
Aurore franziu a testa em confusão. – Que coruja estranha…
Ela ainda estava tentando decifrar as verdadeiras intenções do pássaro — tudo o que fez foi dar uma olhada.
Lumian sorveu o resto do macarrão e depois se virou para a irmã.
— Se houver resposta, deixaremos Cordu esta noite e tomaremos o caminho habitual montanha abaixo.
— Se não, peça emprestado um pônei à Madame Pualis amanhã de manhã e iremos para o rancho mais próximo. Conheço uma trilha que desce a montanha e os investigadores não saberão disso.
Aurore mexeu no cabelo, imersa em pensamentos.
Depois de um tempo, ela sorriu e disse: — Claro, a probabilidade de esse plano dar certo é bastante alta.
Ela estalou a língua e acrescentou: — Meu irmão estúpido cresceu.
Lumian não pôde deixar de se sentir orgulhoso, deleitando-se com os elogios de sua irmã.
Depois do café da manhã, Lumian deu uma desculpa para ver se Ava havia terminado sua turnê de bênçãos das Elfas da Primavera. Ele saiu do prédio subterrâneo e foi direto para o Antigo Bar.
Como Beyonder recém-formado, Lumian estava ansioso para adquirir mais conhecimento, e a mulher prometeu compartilhar alguns com ele.
Não muito longe do bar, Lumian avistou um velho conhecido caminhando em sua direção.
Era Pons Bénet, o irmão mais novo do padre local.
“Ele está sozinho…” Lumian não pôde deixar de sorrir ao pensar em como ele havia sido perseguido por Pons e seus capangas no passado.
Tendo acabado de obter poderes sobrenaturais, ele já estava ansioso para testar seus novos poderes.
— Ei, meu filho ilegítimo, — Lumian o cumprimentou. — Como você ousa sair sozinho sem a permissão do papai?
Lumian esperava provocar Pons e incitá-lo a brigar, em vez de deixá-lo fugir.
Pons Bénet olhou na direção da voz e o viu.
A expressão do vilão mudou ligeiramente. Ele se virou para fugir.
Thud. Thud. Thud… Lumian assistiu incrédulo enquanto Pons saía correndo, desaparecendo no cruzamento não muito longe dali.
“Ele com certeza correu rápido… bastante alerta…”
Lumian suspirou silenciosamente.
Ele sabia, sem sombra de dúvida, que poderia derrotar Pons Bénet em uma briga um contra um, mesmo antes de ascender ao status de Beyonder. Mas parecia provável que Pons Bénet tivesse a mesma ideia. Os dois nunca haviam lutado adequadamente, mas ambos tinham confiança em suas próprias habilidades. Então, ele foi pego de surpresa quando Pons Bénet fugiu no segundo em que o avistou hoje, como se tivesse ficado cara a cara com uma fera sanguinária.
“É impossível para ele saber que eu secretamente me tornei um Beyonder ontem à noite… Ele é tão burro que desenvolveu instintos animais e pode farejar o perigo?” Lumian caluniou Pons Bénet em seu coração.
Absteve-se de perseguir Pons Bénet porque se arrependeu de cumprimentá-lo.
A aldeia estava repleta de aberrações e a situação era perigosa. Lumian sabia que era melhor não mexer no ninho de abelhas antes de partir.
Se tivesse esmurrado Pons Bénet, o padre e seus capangas poderiam entrar em ação prematuramente, comprometendo assim a fuga dele e de Aurore. Seria tarde demais para arrependimentos quando isso acontecesse.
Além disso, o grupo do padre era um enigma e poderia haver algo estranho em Pons Bénet. Lumian suspeitava que se brigasse com ele, sua identidade como Beyonder seria exposta, e isso significaria problemas no futuro.
“Ser um Beyonder me tornou muito arrogante e confiante demais. Preciso me controlar,” pensou Lumian, refletindo sobre seu comportamento, ao entrar no Antigo Bar.
Ele pretendia ir direto para o segundo andar, mas seus olhos pousaram na mulher sentada no canto.
Hoje, a mulher estava vestida com um vestido cinza-pérola e um gorro feminino de cor clara. Lumian percebeu que não havia comida na sua frente.
— Você tomou café da manhã? — ele perguntou, sentando-se em frente a ela.
A mulher respondeu com indiferença: — Ainda não. Vou encontrar alguém aqui e ainda estou esperando por ela.
“Ela? Eu não…?” Lumian examinou a área, mas não viu mais ninguém, exceto o dono do bar.
Ele olhou para a mulher novamente e disse sinceramente: — Eu me tornei um Caçador.
“É hora de você cumprir sua promessa e me dar mais conhecimento comum.”
A mulher não ficou nem um pouco surpresa. Ela comentou com um sorriso: — Parece que você está em muito boa forma.
Ela falou com uma voz que parecia quase sobrenatural: — O que você precisa dominar agora são duas leis e um método.
“Por que parece que estou estudando física…” Lumian não se atreveu a expressar seus pensamentos em voz alta.
A mulher continuou a falar: — Para a maioria dos Beyonders, esse conhecimento é incrivelmente valioso. Eles negociariam tudo o que têm apenas para adquiri-lo.
“Coisas grátis geralmente têm um preço mais alto. Como vou pagar o preço?” Lumian sentiu um peso cair sobre seus ombros.
Desde que se tornou um Caçador, sua intuição e habilidades de observação melhoraram significativamente. Ele podia sentir uma emoção estranha e indescritível nos olhos da mulher, muito mais forte do que antes, mas ainda não conseguia identificar o que era.
A mulher se endireitou.
— Todos os poderes sobrenaturais vêm do Primordial, o Criador. Como um crente do Eterno Sol Ardente, você deve saber que Seus olhos se tornaram o Sol.
— Sim. — Lumian já tinha ouvido os sermões do padre sobre isso antes.
— Essa é uma descrição simbólica, — esclareceu a mulher. — Em essência, o Primordial criou este mundo e muitas divindades. Eventualmente, Ele se desintegrou e se dividiu em características de Beyonder de diferentes caminhos.
— Então é por isso que eles são chamados de caminhos do divino? — Lumian ligou os pontos.
A mulher assentiu levemente.
— Sim, a Sequência 0 de cada caminho é equivalente a um deus verdadeiro. Por exemplo, a Sequência 0 do caminho do Bardo é conhecida como o Sol, que também é o Sol Ardente Eterno em que você acredita.
Lumian ficou surpreso e um pouco apreensivo. Então todo Beyonder pode se tornar um deus no final?
Se ele fosse um crente devoto do Eterno Sol Ardente, ele teria acusado a mulher de blasfêmia. Mas ele não era esse tipo de pessoa. Era apenas um crente casual que não pensava muito nisso.
Ele até perguntou: — Qual é a Sequência 0 do caminho do Caçador? E o caminho do Espreitador de Mistérios?
— Eu já não te contei? É o Sacerdote Vermelho, e o cargo está vago no momento, — respondeu a mulher com uma risada. — Quanto ao caminho do Espreitador de Mistérios, a Sequência 0 é conhecida como O Eremita, e atualmente é ocupada por um deus maligno chamado Sábio Oculto. Ele gosta de transmitir conhecimento aos Beyonders do mesmo caminho, o que lhe valeu o apelido de ‘Perseguidor de Conhecimento’. Os problemas da sua irmã provêm Dele.
— É mesmo… — Lumian sentiu uma pontada de antipatia pelo Sábio Oculto.
A mulher redirecionou a conversa.
— Como as características Beyonder vêm do Primordial, elas não desaparecerão nem aumentarão. Apenas se transformam de uma forma para outra, passando de um objeto para outro. Isso é conhecido como Lei da Indestrutibilidade das Características de Beyonder ou Lei da Conservação.
Circle of Inevitability - Capítulo Vinte e nove: – Método.
Lumian colocou seu conhecimento de física em prática e ponderou por um momento.
— Por que não chamar isso de lei da conservação?
— Essa é outra lei, mas não se preocupe com os detalhes por enquanto. — A mulher concordou com a cabeça. — Essencialmente, é igual à lei da indestrutibilidade, mas com pré-requisitos adicionais e elaborações específicas.
“É mesmo…” Lumian pensou por um momento antes de falar.
— Então, de acordo com a lei da indestrutibilidade, se eu quiser obter características de Beyonder, posso ter como alvo outros Beyonders, além de caçar os monstros correspondentes?
Como as características de Beyonder eram indestrutíveis, a morte de um Beyonder resultaria no aparecimento das características de Beyonder correspondentes.
O rosto da mulher mostrava certa emoção.
— Você é muito perspicaz.
— Portanto, esta lei não é adequada para a maioria dos Beyonders saber. Isso resultaria na morte de muitos Beyonders, e eles não seriam capazes de confiar uns nos outros.
Lumian não se importou com isso. — Mesmo sem esta lei, os humanos ainda matam uns aos outros. No mundo real, há muitas suspeitas, intimidação e assassinatos.
A mulher respondeu com interesse: — Mas pelo menos ainda existe um certo calor e luz no espírito humano.
Lumian ponderou um pouco antes de falar.
— Olhando de outra perspectiva, esta lei deve se tornar um consenso entre os Beyonders. Dessa forma, os fracos podem ser preparados com antecedência e não se tornarem presas fáceis para aqueles que sabem.
A mulher assentiu levemente.
— Isso faz algum sentido. Na verdade, se as batalhas entre Beyonders acontecerem com frequência suficiente, as pessoas envolvidas provavelmente serão capazes de descobrir.
Ela então apresentou: — A segunda lei é chamada de Lei da Convergência das Características de Beyonder.
— Convergência… — Lumian lutou para entender.
Ele não conseguia deduzir isso da conversa anterior.
A expressão da mulher ficou séria.
— Como o criador deste mundo, mesmo que o Primordial se divida em características de Beyonder de diferentes caminhos, isso não significa que Ele se retirou completamente do palco. Sua mente está espalhada entre as diferentes características de Beyonder e nunca será obliterada a menos que este mundo pereça completamente.
— Essas características são semelhantes a uma marca, mas têm o instinto de remontar e reviver o Primordial.
— Em outras palavras, depois de se tornar um Beyonder, é mais provável que você encontre outros Beyonders do que antes. É mais provável que você encontre Beyonders do mesmo caminho ou de caminhos vizinhos do que Beyonders de outros caminhos. Esta é a convergência do destino. Quanto maior a Sequência, mais óbvia se torna esta situação.
Lumian tinha muitas dúvidas, mas decidiu começar pela mais importante.
— Então, combinado com a Lei da Indestrutibilidade das Características de Beyonder, posso concluir que a convergência leva a massacres?
A mulher mais uma vez revelou uma expressão de aprovação.
— Você é muito perspicaz nesses assuntos.
— Não é um problema quando sua Sequência está baixa, mas no estágio de semideus, especialmente depois de se tornar um Anjo, você deve encontrar uma maneira de enfraquecer ou evitar os efeitos da convergência.
— Semideus, anjo? — Lumian ficou surpreso e intrigado ao ouvir esses termos, mesmo sabendo que cada Sequência poderia eventualmente se tornar um verdadeiro deus.
A mulher explicou casualmente: — Semideus é um termo para Beyonders da Sequência 4 à Sequência 1, significando meio deus, meio humano.
— Entre eles, a Sequência 4 e a Sequência 3 são conhecidas como Santos, enquanto a Sequência 2 e a Sequência 1 são chamadas de Anjos. Existem outros nomes além disso, mas é melhor se você não os conhecer por enquanto.
“Santos… Anjos…” Lumian pensou nos santos e anjos de diferentes regiões.
“Eles eram reais?”
“Os restos mortais de um Santo são os cadáveres dos Santos. Existem características de Beyonder deixadas para trás?”
Lumian perguntou, sentindo um pouco de medo: — Então cada característica de Beyonder tem a marca mental do Primordial, e quanto maior a Sequência, mais fica para trás?
— A pessoa que consome a poção não seria afetada?
A mulher confirmou com um sorriso: — Sim, por que você acha que esse caminho está cheio de perigo e loucura?
— Perder o controle é uma das principais razões pelas quais consumir uma poção pode ser tão perigoso.
— Para ser mais específico, é perder o controle dos poderes sobrenaturais e da própria mente e se transformar em um monstro aterrorizante.
— Existe outro motivo? — Lumian pressionou.
A mulher grunhiu laconicamente.
— Em primeiro lugar, a intensidade da impressão mental depende principalmente do nível dos proprietários das características de Beyonder correspondentes. Sua obsessão e loucura antes da morte também contribuem para isso. Em segundo lugar, consumir a poção na ordem ou método errado pode causar um enorme conflito no corpo. Em terceiro lugar, algumas existências podem usar o consumo de poções para exercer influência. Por exemplo, toda vez que alguém do caminho do Espreitador de Mistérios consome uma poção, eles recebem passivamente a instilação de conhecimento do Sábio Oculto.
“Semelhante à voz que ouvi depois de beber a poção Caçador?” Lumian refletiu por um momento antes de contar sua situação com sinceridade.
— Que influência é essa?
No segundo seguinte, ele viu a expressão da mulher à sua frente ficar um pouco estranha.
Ela disse solenemente: — Algumas existências podem corromper e assumir o controle de você apenas por saber de sua existência.
— Infelizmente, o dono dessa voz é uma dessas existências. Não é adequado para você saber o nome honorífico delas no momento.
A mente de Lumian fervilhava de pensamentos. “Isso é horrível? Um deus verdadeiro da Sequência 0? Mas a maioria das pessoas em Intis e eu cremos sobre o Eterno Sol Ardente e o Deus do Vapor e da Maquinaria. Não há nada de errado com eles… Poderia haver uma diferença entre um deus verdadeiro e um deus maligno? Mas ela mencionou o Sábio Oculto, que também é um Sequência 0. Será possível que ela não saiba quem é e esteja usando termos vagos para mascarar sua ignorância?”
Ele desistiu do assunto, considerando sua própria força, e perguntou sobre outro termo intrigante.
— O que é um caminho vizinho?
A expressão da mulher voltou ao normal quando ela explicou: — Em circunstâncias normais, se você escolher um caminho e consumir a poção correspondente, você só poderá seguir esse caminho um passo de cada vez. Caso contrário, você definitivamente perderá o controle, ou pelo menos perderá metade do controle. No entanto, sempre há exceções. Cada caminho tem um ou mais caminhos vizinhos. Você pode pular para uma sequência específica, como a Sequência 4, a divisão entre humanos e semideuses.
— O caminho vizinho de Caçador é Assassino.
“Assassino… Parece mais legal do que Caçador…” Lumian perguntou preocupado: — Quais caminhos são vizinhos do Espreitador de Mistérios?
— Alguém não será mais afetado pelo Sábio Oculto depois de pular para um caminho vizinho?
— O caminho do Erudito. A atual Sequência 0 é o Deus do Vapor e da Maquinaria, — respondeu a mulher calmamente. — Depois de mudar, a pessoa ainda será afetada pelo Sábio Oculto, mas o grau diminuirá significativamente. No entanto, as características de Beyonder correspondentes ainda existem, a menos que alguém encontre uma maneira de expulsá-las.
— Como? — Lumian perguntou surpreso.
— A maneira mais fácil é ter filhos. No misticismo, há uma grande chance de transferir as características de Beyonder correspondentes para uma criança através da hereditariedade, — explicou a mulher. — Alternativamente, você pode usar as habilidades especiais de certos caminhos, mas há um certo risco e você terá que pagar um preço considerável.
Lumian assentiu antes de levantar outra questão.
— Posso mudar apenas em uma sequência específica?
As chances de alcançar a Sequência 4 e se tornar um semideus eram mínimas.
A mulher olhou para ele.
— Em teoria, é possível mudar para uma sequência mais baixa, mas o risco de perder o controle é muito maior. A menos que não haja outra maneira, é melhor não tentar.
A mulher fez uma pausa antes de dizer: — Terminei de explicar as duas leis. Agora vou explicar o método.
— Esta é uma das peças de conhecimento mais importantes do mundo místico.
“Mais importante?” Lumian instintivamente endireitou as costas, sentindo-se anormalmente concentrado.
A mulher continuou a falar: — É chamado de ‘método de atuação’.
— É uma forma de ajudá-lo a digerir a poção. Ao digerir a poção, o risco de perder o controle será bastante reduzido ao consumir a próxima poção de Sequência.
“Não é à toa que não posso beber a poção da Sequência 9 hoje e beber a poção da Sequência 8 amanhã… Tenho que usar o método de atuação para digerir a poção anterior…” Lumian chegou a uma conclusão.
Ele não a interrompeu e ouviu atentamente sua explicação.
— Lembre-se, é digestão, não controle.
— Qual é o método de atuação? Envolve agir de acordo com o nome de uma Sequência como um ator. Ao reconciliar as diferenças entre o corpo e as impressões mentais remanescentes das características de Beyonder, pode-se obter o reconhecimento correspondente. Isso permite que os Beyonders contornem a barreira que existia originalmente e fundam as características de Beyonder consigo.
— Então, tenho que agir como um caçador e caçar nas montanhas todos os dias? — Lumian perguntou atentamente. Parecia tão atento quanto um estudante.
A mulher balançou a cabeça.
— Essa é apenas a forma mais superficial de atuação. Não só temos que entender o significado superficial do nome de uma Sequência, mas também temos que investigar seu significado mais profundo. Por exemplo, a cidade também é uma selva. Todos são presas e caçadores.
“Eu conheço isso…” Lumian já conhecia esse conceito, que aprendeu em sua época de vagabundo.
— Como você pode ter certeza de que digeriu a poção e pode avançar para a próxima sequência? — Lumian perguntou curioso.
A mulher sorriu.
— Você sentirá isso quando a poção for realmente digerida.
“Tudo bem…” Lumian não continuou o assunto e perguntou intrigado: — Quem nomeou as diferentes sequências?
Por que ele poderia digerir a poção apenas representando-as?
A expressão da mulher ficou séria.
— As primeiras divisões da Sequência vieram dos restos da fragmentação do Primordial. Era uma laje de pedra cheia de conhecimento místico.
— Como envolve o segredo de se tornar uma divindade, é chamada de Ardósia da Blasfêmia.
— Nos tempos antigos, durante o final da Segunda Época e toda a Terceira Época, uma divindade poderosa próxima ao Primordial apareceu. Ele foi chamado de Antigo Deus do Sol. Depois que morreu, uma segunda Ardósia da Blasfêmia nasceu de Seus restos mortais. Todos os nomes de sequências e fórmulas de poções atuais vieram dela.
“Essa não é a história da Segunda e Terceira Época que aprendi…” Lumian murmurou interiormente.
A mulher continuou a falar: — Quando o Imperador Roselle estava vivo, ele usou a segunda Ardósia da Blasfêmia como referência para criar um conjunto de Cartas da Blasfêmia baseado em cartas de tarô. Há um total de 22 cartas, e cada carta representa um caminho do divino.
Lumian ficou surpreso. — Imperador Roselle também é um Beyonder?
Como um Intisiano comum, era difícil para ele não sentir uma certa admiração pelo Imperador Roselle.
Nota: Intisiano, nativo de Intis.
A mulher riu. — Há outra possibilidade?
Lumian perguntou: — Ele era poderoso?
— Quase uma divindade, — disse a mulher concisamente.
“Incrível.” Lumian ficou atordoado, mas sentiu que estava certo.
Ele pensou por um momento e disse: — Então, o diário deixado pelo Imperador Roselle não seria muito valioso?
A mulher assentiu.
— Sim, mas há muito poucas pessoas que conseguem decifrar esses escritos estranhos.
Lumian mergulhou em pensamentos profundos. “Aurore parece ter algumas transcrições do diário do Imperador Roselle em sua coleção. Ela parece ser capaz de decifrá-los… Será que uma parte de sua força vem daí?”
Circle of Inevitability - Capítulo Trinta: – Começa a Quaresma.
A mulher virou a cabeça para olhar pela janela do Antigo Bar.
— Já está na hora. Vou terminar dando algumas dicas. Com base na Lei da Indestrutibilidade das Características de Beyonder, sabemos que os humanos e as características de Beyonder se combinam para se tornarem Beyonders. Da mesma forma, criaturas e características de Beyonder se combinam para se tornarem criaturas Beyonder. Mas e os itens que combinam com características de Beyonder? — ela perguntou, sem dar chance a Lumian de responder.
— Eles são chamados de itens místicos. Como os itens não possuem vontade, espírito e autocontrole, juntamente com os efeitos combinados de outros fatores, depois de se fundirem com características de Beyonder, eles não apenas exibirão habilidades especiais correspondentes, mas também trarão efeitos negativos muito fortes. As várias Igrejas tendem a selá-los e usar métodos adequados para ativá-los quando necessário. É por isso que os itens místicos também são chamados de Artefatos Selados.
— Os itens místicos que foram selados pelas diversas Igrejas possuem números de identificação próprios e são divididos em quatro graus: 3, 2, 1 e 0. Quanto menor o número do prefixo, maior o perigo. Entre eles, há um número limitado de artefatos selados de nível 1 e 0 que são extremamente perigosos. Os números de identificação são compartilhados às várias igrejas e não serão repetidos.
Lumian murmurou: — Artefatos Selados de Nível 0…
Lumian teve uma profunda impressão de que a Sequência 0 era equivalente a um verdadeiro deus. Isso o levou a fazer uma certa conexão e perguntar: — Esses Artefatos Selados são formados por divindades caídas ou deuses malignos exterminados?
Ele notou que havia 22 caminhos com Sequência 0, mas o número de divindades claramente não batia.
No entanto, Lumian também reconheceu que sua falta de compreensão dos deuses malignos e das existências secretas poderia ter causado essa confusão.
— Nem todos, — respondeu a mulher depois de pensar por um momento. — A maioria deles está no nível dos Anjos. Apenas um pequeno número tem a habilidade de matar deuses.
Lumian assentiu. — Eu entendo. Não vou subestimar os itens nas mãos de outras pessoas.
A mulher acrescentou: — Você também não pode subestimar os efeitos negativos dos Artefatos Selados. No futuro, você definitivamente encontrará Artefatos Selados.
— Ah, e há outra categoria de itens no campo do misticismo chamados itens extraordinários. Eles são feitos por Beyonders de Sequências correspondentes usando suas habilidades, espiritualidade ou com a ajuda do mundo espiritual ou divindades. Eles não contêm características Beyonder, mas possuem um certo nível de efeitos sobrenaturais. No entanto, sua força se dissipará gradualmente com o tempo. Amuletos, loções e outros itens só podem ser usados uma vez.
— Em comparação, as armas Beyonder são mais estáveis e podem ser usadas por anos.
— Como um Caçador, você não tem a habilidade de lidar com criaturas do tipo fantasma antes da Sequência 7. Se você tiver a chance no futuro, considere obter os Artefatos Selados ou itens Beyonder correspondentes.
Lumian ouviu com atenção e perguntou: — O mundo espiritual?
Ele tinha visto esse termo em Véu Oculto, mas não fornecia explicação suficiente.
A mulher explicou rapidamente: — Do ponto de vista místico, este mundo é dividido em três níveis: o mundo real, o mundo espiritual e o mundo astral. O resto é formado pela ligação a um desses três, como o Submundo.
— Não preciso explicar muito sobre o mundo real; você já o conhece muito bem. O mundo espiritual é um lugar onde residem os espíritos, e muitos conceitos da realidade não existem mais lá. Você irá compreendê-lo gradualmente no futuro. Quanto ao mundo astral, originalmente se referia ao mundo dos deuses, mas agora todo o cosmos precisa ser incluído nessa definição.
Lumian estava apenas perguntando casualmente, mas após obter uma resposta preliminar, voltou imediatamente ao tópico anterior.
— Um Caçador pode criar itens Beyonder? — ele perguntou, pensando que Bruxos provavelmente conseguiriam fazer isso.
A mulher balançou a cabeça antes de dizer: — Os Caçadores não podem confiar em sua própria sequência, mas como sua espiritualidade foi aprimorada, eles podem aprender magia ritualística e orar a uma divindade ou a uma existência oculta. Podem usar suas respostas para criar amuletos, armas e outros itens Beyonder.
— No entanto, devo lembrá-lo de que a maioria das existências ocultas são muito perigosas. É melhor não tentar orar para elas. Caso contrário, a morte seria o melhor resultado. E os sete deuses ortodoxos basicamente não responderão a você, a menos que você se junte à Igreja correspondente e se torne um Beyonder oficial.
— Em outras palavras, é impossível para um Caçador criar um item Beyonder? — Lumian perguntou, sentindo-se um tanto desapontado.
A mulher sorriu e disse: — Na verdade, não. Por um lado, você pode usar o sangue e a saliva de certas criaturas Beyonder para criar armas venenosas. Por outro lado, depois de desvendar o segredo do sonho, direi-lhe o nome honorífico de uma grande existência. Você pode orar a Ele.
Lumian ficou chocado e desconfiado. Esta foi a primeira vez que ela usou a palavra “grande” como adjetivo. Ele nunca a ouviu usá-lo para descrever o Eterno Sol Ardente ou o Sábio Oculto. Quem poderia ser esta grande existência? Era seguro orar a Ele?
Quanto mais aprendia sobre o misticismo, mais percebia quão pouco sabia.
Lumian acenou lentamente à sua resposta e perguntou: — Quais são as Sequências 8 e 7 correspondentes para Caçadores?
A mulher respondeu com indiferença: — A Sequência 8 do caminho do Caçador é chamada de Provocador, e a Sequência 7 é Piromaníaco.
— Tudo bem, por hoje é tudo, — ela disse enquanto se levantava e caminhava em direção à entrada do segundo andar.
Depois de alguns passos, ela parou e disse por cima do ombro: — Esqueci de te lembrar. Lembre-se, você está apenas atuando.
“Apenas atuando…” Lumian refletiu sobre suas palavras e perguntou pensativamente: — E se você levar o papel a sério?
— Você vai se tornar cada vez menos parecido com você mesmo até que um dia… — A mulher sorriu e fechou a boca antes de se virar, caminhar até as escadas e desaparecer.
“Ela não terminou a frase de novo…” Lumian murmurou silenciosamente.
Ele sentiu que esquecer que estava apenas agindo teria consequências graves.
Lumian sentou-se calmamente em um canto do Antigo Bar, revisando o conhecimento geral que a mulher acabara de lhe ensinar para evitar esquecer alguma coisa.
Quanto mais pensava sobre isso, mais percebia a importância das duas leis e do método.
“Eles são como a estrutura principal do misticismo. Todo o resto é derivado deles.”
“Eu me pergunto se Aurore sabe…”
“Depois de deixar Cordu, discutirei esse problema com ela…”
“Uh, eu me pergunto se aquela mulher me permitirá informar Aurore sobre tudo isso diretamente…”
Quando Lumian saiu do Antigo Bar, ele olhou para trás e murmurou para si mesmo: “Por que aqueles três estrangeiros ainda não agiram? Hoje já é Quaresma…”
Ele continuou a ponderar enquanto se dirigia para a praça da aldeia.
Depois que ele terminou de perguntar se havia alguma resposta, viu Ava, Reimund e os outros se aproximando.
Ava usava um longo vestido branco com um cocar redondo feito de galhos e flores na cabeça e um enorme colar pendurado no pescoço. Galhos marrons e folhas verdes adornavam suas costas, braços, cintura e pernas, fazendo-a parecer uma fada na floresta.
Ela era a personagem principal da Quaresma, a Elfa da Primavera.
Reimund e os outros rapazes cercaram Ava, cada um carregando uma cesta tecida com galhos de árvores cheia de grama, terra, pedras, folhas e outros itens.
— Lumian, o passeio de bênção está prestes a começar! — Ava exclamou quando seus olhos azul-água o viram.
Seu rosto estava cheio de alegria.
Reimund e os outros também pareciam felizes.
— Vamos, vamos buscar as contribuições!
Como a Novel Semanal ainda não havia respondido, Lumian não tinha nada para fazer por enquanto, então decidiu se juntar à procissão.
Os jovens começaram a cantar alto enquanto cercavam Ava e saíam da praça.
Após cerca de dez metros, pararam em frente ao primeiro prédio.
Lumian foi até a porta e bateu nela.
— A Elfa da Primavera está aqui!
A porta se abriu e Nazélie apareceu na frente deles.
Ela era a outra mulher chefe de família na aldeia, na casa dos quarenta e com o prefixo ‘Na’. Seu cabelo preto estava amarrado e seus olhos azuis eram aconchegantes.
Quando a porta se abriu, Ava deu dois passos à frente, abriu os braços e começou a cantar.
— Eu sou a Elfa da Primavera,
— Com um rosto doce e um anel alegre,
— Trazendo felicidade para tudo,
— Nesta temporada tão charmosa.
— Venha cantar, venha dançar,
— Vamos celebrar este momento de oportunidade,
— Pois esta é a única maneira,
— Para abençoar a terra e fazê-la permanecer.
Depois da música, Ava pegou um pedaço de terra da cesta de Reimund e entregou para Nazélie.
— Obrigada, ‘Elfa da Primavera’, — disse Nazélie, recebendo-o com um sorriso e entregando um pedaço de pano para Ava.
— Colheita abundante! Colheita abundante! — Lumian e os outros rapazes responderam em uníssono.
Este era um ritual de bênção. A Elfa da Primavera usou o canto e doou terra, grama, pedras e outras coisas naturais aos aldeões para abençoá-los com uma colheita abundante este ano. Os aldeões precisavam retribuir algo como contribuição, ou a bênção se tornaria uma maldição.
Depois que Reimund recebeu o pano, Ava cantou outra música com entusiasmo.
Só então se despediram de Nazélie e seguiram para a próxima casa.
Uma parte das doações recebidas durante o passeio de bênção seria jogada no rio no ritual à beira-mar, e o restante seria colocado no ritual final. Após o fim da Quaresma, a garota que era a personificação da Elfa da Primavera tinha o direito de escolher algo para levar embora.
Este era um ganho considerável.
Se Cordu realmente teve uma colheita abundante este ano, acredita-se que Ava, como a personificação da “Elfa da Primavera”, recebeu o amor dos elfos e as bênçãos da primavera. Quem quer que se casasse com ela teria colheitas abundantes o tempo todo.
Nesse caso, ela tinha a chance de se casar com alguém de boa família.
A procissão de bênçãos cantou até a casa de Lumien, onde Aurore abriu a porta. Ela vestiu um vestido plissado de cor clara com gola reta e prendeu o cabelo loiro.
Ava se aproximou e cantou a mesma música novamente.
— Eu sou o elfo da primavera…
Aurore ouviu com um sorriso e entregou a Ava um pequeno pote de cerâmica.
— Obrigada, Elfa da Primavera.
Lumian olhou para o pote de banha de animal e sentiu que sua irmã era generosa demais.
Eles não tinham terras agrícolas, exceto uma pequena horta nos fundos de sua casa, e não precisavam se preocupar com a colheita.
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