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Shadow Slave - Capítulo Noventa e seis: Exílio
[Início do volume 2: Demônio da Mudança]
“Acorde, Sunless! O seu pesadelo…”
“Cala a boca!”
Tentando permanecer no abraço feliz do sono, Sunny sibilou entre os dentes e teimosamente fechou os olhos com mais força. Ele estava aquecido e confortável sob o cobertor, em sua própria cama, onde todos os problemas do mundo pareciam menos sérios e terríveis.
Por um momento houve silêncio.
‘Isso é melhor…’
“Acorde, Sunless! O seu…”
‘Droga!’
Empurrando um braço para fora do cobertor, Sunny invocou uma de suas Memórias. Imediatamente, uma adaga de arremesso triangular em forma de folha apareceu em sua mão, apenas para ser atirada cegamente na fonte da voz irritante. Errando o alvo, a adaga bateu contra a parede de pedra e caiu no chão.
No entanto, a voz desapareceu.
Sunny suspirou. Já era tarde demais. Ele estava acordado.
Ao longe, as ondas começaram a bater contra a muralha da cidade. A noite estava chegando, então era hora de levantar.
Abrindo os olhos, Sunny sentou-se e olhou ao redor.
Seu quarto era lindo e espaçoso. As paredes de pedra eram gravadas com padrões intrincados, criando uma atmosfera de santidade e elegância. A mobília era feita de madeira polida clara, com várias peças separadas que Sunny havia catado de diferentes lugares.
O quarto não tinha janelas, no entanto, havia fontes de luz habilmente escondidas aqui e ali. Infelizmente, o engenhoso sistema de refletores que deveria banhar a câmara escondida com luz solar foi destruído há muito tempo, deixando apenas escuridão lá dentro.
Sunny não se importou. Na verdade, essa era uma das características de seu covil secreto que ele mais gostava.
A escuridão era sua melhor amiga.
Bocejando, ele se levantou e esfregou o rosto para afastar os últimos resquícios de sono. Seu cabelo longo e sujo estava atrapalhando, então ele o colocou para trás.
“Vamos fazer o café da manhã.”
Mas primeiro as coisas mais importantes…
Sunny moveu sua mão, puxando a corda invisível que conectava seu pulso no fim do punhal da adaga, em forma de anel. A adaga de arremesso saltou no ar e pousou em sua palma. Esse era um truque que Sunny levou um bom tempo para dominar: no começo, ele quase perdeu alguns dedos enquanto tentava aprender a controlar a lâmina voadora.
Caminhando até uma parede vazia de gravuras, ele usou a adaga para riscar uma pequena linha na pedra. Ao redor dela, havia dezenas e dezenas de linhas semelhantes, agrupadas ordenadamente em conjuntos de cinco.
Já fazia quatro meses que Sunny chegara àquela cidade repugnante e esquecida por Deus.
Muitas coisas aconteceram durante esse tempo.
A visão de Cassie se revelou verdadeira. Bem no oeste, eles de fato encontraram uma cidade vasta e em ruínas, cercada por muros altos, com monstros vagando por suas ruas estreitas. E no centro da cidade, havia uma colina com um castelo magnífico em seu topo.
Milagrosamente, o castelo estava cheio de pessoas. No entanto, elas não eram Despertas, como os três esperavam. Em vez disso, elas eram, cada uma delas, meros Adormecidos.
Porque não havia nenhum Portal no castelo.
Centenas de humanos — aqueles que conseguiram sobreviver ao letal cenário infernal da Costa Esquecida devido à sua força ou sorte — estavam presos lá sem esperança de retornar ao mundo real. Não era nada além de um cemitério de esperança.
Lembrando de seus primeiros dias no castelo, Sunny não conseguiu evitar rir alto. Oh, que tolo ele tinha sido. Tão cheio de esperança e fé recém-descoberta na humanidade… onde está essa fé agora, hein?
Rindo histericamente, ele se abaixou e deu um tapa nos joelhos.
“Ah, que engraçado! Essa foi boa, Sunny. O que você acha disso, hein, amigão?”
A sombra não respondeu, encarando-o com reprovação. Seu silêncio só fez Sunny rir mais alto. Ele simplesmente não conseguia parar.
Para ser honesto, ele tinha ficado um pouco louco há algum tempo. Provavelmente por volta da terceira semana vivendo sozinho na cidade. Ele estava mais ou menos bem depois de deixar o castelo devido àquela infeliz briga com… bem, não importava.
O ponto era que em sua terceira semana, aquele maldito cavaleiro bastardo quase o estripou, deixando Sunny sem escolha a não ser rastejar para longe enquanto usava suas próprias mãos para impedir que seus intestinos caíssem. Depois de encontrar seu caminho para uma vala isolada e ficar deitado lá por alguns dias, fraco demais para se mover e simplesmente esperando para morrer, sem uma alma por perto para ajudá-lo, Sunny não era mais o mesmo.
‘Bons tempos…’
De qualquer forma, ele sobreviveu.
Dispensando a adaga, Sunny caminhou até uma mesa que ele havia recuperado das ruínas de uma biblioteca e olhou para a pedra cinza que estava no centro dela.
Não importa como você olhasse, era apenas uma pedra comum. No entanto, assim que o olhar de Sunny caiu sobre ela, a pedra falou:
“Acorde, Sunless! O seu pesadelo acabou!”
Aquela pedra era, de fato, uma de suas Memórias mais valiosas. Em todos os sentidos, exceto um, era de fato apenas uma pedra… o que já era útil o suficiente. Havia muitas coisas que alguém tão desonesto quanto Sunny poderia realizar com a ajuda de uma pedra. No entanto, esta pedra em particular também era capaz de repetir sons diferentes, o que a tornava simplesmente inestimável.
Agora mesmo, ela estava repetindo a voz do próprio Sunny.
“Acorde…”
“Sua coisa maldita!”
Lutando contra o desejo irracional de transformar a Pedra Papagaio em pó, Sunny a dispensou e removeu um pedaço de pano da mesa. Abaixo dele, algumas tiras de carne de monstro estavam em uma bandeja de prata.
Ele havia caçado esse monstro sozinho, o que não era uma tarefa fácil nesta região. Na verdade, até onde Sunny sabia, ele era uma das poucas pessoas capazes de caçar na cidade sozinho. A razão para isso era que a maioria das Criaturas do Pesadelo que a povoavam eram da categoria Caída, com apenas um punhado de criaturas mais fracas se escondendo aqui e ali.
Ninguém era louco o suficiente para caçar os Monstros Caídos. Em vez disso, grandes grupos de caça usavam guias experientes para evitar essas criaturas poderosas enquanto procuravam por presas mais fáceis.
Mas para Sunny, matar Monstros Despertos perdidos era comparativamente fácil. Ele caçava à noite, usando sombras profundas para se tornar nada menos que invisível. Se ele não quisesse lutar contra uma abominação Caída, ele não precisava.
Na maior parte das vezes…
De qualquer forma, ele nunca passou fome.
Sunny sorriu e disse num tom profundamente satisfeito:
“Ah, como a vida é boa…”
Shadow Slave - Capítulo Noventa e sete: O Sonho de Um Caçador
A vida, de fato, estava boa. Na verdade, Sunny até chegaria a dizer que ela estava maravilhosa atualmente.
Alguém poderia pensar que ficar preso em uma cidade amaldiçoada localizada no meio de um inferno real, cercado por nada além de ruínas e monstros horripilantes, não fosse realmente a melhor maneira de viver sua vida. Mas para ele, isso era um pouco como um paraíso.
Para sua surpresa, Sunny descobriu que esse tipo de vida lhe serve muito bem. Ele não tinha nenhuma obrigação, não precisava se preocupar com o futuro e, mais importante, não era obrigado a interagir com outros humanos.
Os humanos sempre dificultavam e complicavam as coisas. Ele estava farto deles.
Estar sozinho era muito melhor. Ele não precisa fingir ser outra pessoa, forçar-se a se comportar de forma diferente do que queria e forçar sua mente tentando entender os sentimentos complicados das pessoas.
Pela primeira vez na vida, Sunny podia simplesmente ser ele mesmo.
Acontece que seu verdadeiro eu era muito fácil de aceitar. Ele não tinha escassez de coisas interessantes para fazer, explorar e matar. Sua vida era muito divertida e confortável, considerando tudo.
Pelo menos era muito melhor do que sua vida patética na periferia, de volta ao mundo real.
A chave para esse sentimento harmonioso era muito simples. Era não ter esperança.
Sunny descobriu que a esperança era a verdadeira inimiga da paz. Era a coisa mais vil e venenosa do universo. Se imaginasse um vislumbre de esperança de voltar para casa, ele estaria desesperado, cheio de ansiedade e provavelmente no meio de algum impensável desastre agora.
Como sempre foi antes.
Mas sem esperança, as coisas eram simples e interativas. Ele realmente não poderia desejar mais nada.
“Continue dizendo essa merda pra si mesmo. Você pode realmente acreditar.”
Sunny sorriu.
“O que há para acreditar? É a verdade!”
A sombra balançou a cabeça deitada, há muito acostumada com suas falas malucas. Por fim, Sunny vinha falando muito consigo mesmo, tendo longas discussões que às vezes desciam para disputas de gritos. Era uma boa maneira de passar o tempo.
… Um pouco mais tarde, ele emergiu da sua câmara secreta. O covil de Sunny estava situado na parte superior de uma catedral em ruínas, a entrada escondida atrás de uma estátua alta de alguma deusa desconhecida. Havia uma pequena sacada que lhe permitia observar o grande salão do templo por cima do ombro da deusa, escondido da vista pelos fios do cabelo de pedra.
A sacada era muito alta acima do chão, tornando impossível para qualquer criatura subir nela por acidente. Cair certamente mataria um humano normal.
Sunny descobriu o quarto escondido enquanto espiava o bastardo que o havia estripado. Ele entrou na catedral pelo buraco no teto e pousou numa das vigas largas de suporte, então atravessou e eventualmente notou a pequena sacada.
Foi assim que ele e o bastardo se tornaram vizinhos. O bastardo era, de fato, o guardião deste lugar. Ele patrulhava o grande salão, matando qualquer um que ousasse entrar. Sunny viu várias Criaturas do Pesadelo caírem sob sua espada, cortadas ao meio sem muito esforço.
Claro, o bastardo mesmo era uma poderosa Criatura do Pesadelo.
Sunny tinha certeza de que ele era pelo menos um Diabo.
Compartilhar a catedral com um Diabo era muito conveniente. Sunny poderia dormir tranquilo sabendo que nenhum monstro conseguiria chegar vivo ao santuário interno. Claro, ele tinha que ter cuidado para nunca ser visto por seu companheiro de quarto assassino.
Pelo lado positivo, ele podia observar o Diabo o quanto quisesse, esperando por uma chance de se vingar. Sunny estava decidido a, eventualmente, matar o maldito cavaleiro. O bastardo tinha que morrer.
Mas antes disso, Sunny tinha que se tornar mais forte. Muito, muito mais forte.
Caminhando sobre as vigas da catedral, ele saiu do buraco no telhado e sobiu por ele.
Lá fora, a noite já reinava sobre o mundo.
Era hora de caçar.
Uma figura esquelética e curvada caminhava lentamente pela rua estreita da cidade amaldiçoada. A criatura tinha braços longos que terminavam em garras cruéis e uma cabeça deformada com uma boca larga cheia de presas afiadas como navalhas.
Mesmo com as costas curvadas, o monstro tinha pelo menos dois metros de altura. Estava vestido com uma mortalha rasgada que já era branca, mas há muito tempo ficou marrom por causa do sangue seco.
Essa era a presa de Sunny.
A criatura, que era chamada de Infernal de Sangue, estava entre os moradores mais fracos da cidade amaldiçoada. Era meramente um Monstro Desperto, pouco inteligente e comparativamente fácil de matar.
Claro, nada era realmente fácil de matar aqui. Afinal, todo e qualquer humano na Costa Esquecida era equivalente apenas a uma Besta Dormente.
Apesar do fato de que eles compartilhavam a mesma classificação e nível, os Infernais de Sangue eram menos formidáveis do que um Centurião de Carapaça em termos de força e velocidade. No entanto, isso era apenas até eles sentirem o cheiro de sangue, o que os deixava em um frenesi assassino. Nesse estado, esses Infernais eram uma verdadeira ameaça.
‘Que patético’, pensou Sunny, perseguindo a Criatura do Pesadelo pelas sombras.
Ele havia matado alguns desses Monstros no passado e se divertia muito em cada uma delas… bem, exceto pelo encontro em que ele eventualmente se cortou em uma pedra afiada. Isso não foi nada divertido.
‘Tá na hora de morrer, sua aberração horrorosa!’
O Infernal de Sangue estava prestes a virar a esquina quando um som repentino atraiu a sua atenção. Com uma velocidade anormal, o monstro se virou e caiu de quatro, seus ouvidos sensíveis captavam o menor dos ruídos. Então, ele deu alguns passos cuidadosos para frente e parou em um certo ponto.
Na frente do Infernal, uma pedra de aparência comum estava caída no chão.
Um segundo depois, a rocha de repente falou:
“Atrás de você”, disse educadamente.
A criatura congelou por um momento, então se virou na velocidade da luz.
Algo cortou o ar, a parte superior do corpo do Infernal de Sangue se separou da inferior. Ainda se recusando a morrer, o monstro estendeu seus longos braços.
“Muito devagar!”
Sunny cortou com o Fragmento da Meia Noite, cortando um dos braços no cotovelo. Continuando o movimento, ele deu um passo rápido para frente e executou outro golpe, dessa vez perfurando o crânio da criatura. A ponta da lâmina entrou por um dos olhos e saiu pela parte de trás da cabeça.
Tudo isso levou menos de um segundo. Quando ambas as partes do monstro caíram no chão, Sunny já havia recuperado sua espada.
Olhando para cima com expectativa, ele sorriu e esperou.
“Vamos lá, diga!”
Como se respondesse ao seu chamado, o Feitiço sussurrou:
[Você matou um Monstro Desperto, o Infernal de Sangue.]
[Sua sombra se fortaleceu.]
Sunny sorriu.
“Ah, muito obrigado. Você é tão meigo.”
As runas brilharam enquanto apareciam no ar na frente dele. Olhando para baixo, ele leu:
Fragmentos de Sombra: [398/1000].
Faltavam apenas dois Fragmentos para completar outra centena. Por fim, ele estava avançando a uma velocidade muito impressionante. No começo, quando ele não conhecia a cidade e as criaturas que a povoavam, Sunny teve sorte de conseguir alguns Fragmentos em uma semana.
Ele também estava muito mais sujeito a acabar ensanguentado e a um passo da morte.
Mas agora, as coisas estavam mudando lentamente. Ele nem se lembrava da última vez que se sentiu obrigado a se despedir da vida.
‘Ah, seu idiota. Você tinha que ir pensar isso em voz alta, hein?’
Assim que ele terminou esse pensamento, um som de passos chegou aos seus ouvidos.
Shadow Slave - Capítulo Noventa e oito: Convidados Indesejados
Sunny lançou um olhar severo para o cadáver do Infernal de Sangue e depois na direção em que os passos que se aproximavam.
Quem era louco o suficiente para permanecer nesta cidade amaldiçoada durante a noite? Só um lunático completo faria algo tão estúpido. Todas as pessoas sãs já tinham ido embora das ruas há muito tempo, sem mencionar que muito poucas estavam dispostas a entrar nas ruínas para começo de conversa.
Uma sombra escura fluiu da ponta da lâmina do Fragmento da Meia Noite. Projetando-se no chão, ela o olhou com sarcasmo.
Sunny olhou de volta.
“O quê?”
A sombra balançou a cabeça e não respondeu, forçando-o a se virar com um dar de ombros confuso.
“Tanto faz. Ah, parece que temos convidados. O que fazer, o que fazer? Esse lugar está uma bagunça!”
Olhando ao redor, Sunny suspirou, olhou para o cadáver do monstro mais uma vez e convocou a adaga. A coisa inteligente a fazer era fugir. Quem saberia o que estava produzindo o som daqueles passos exatamente? Talvez fosse um grupo de pessoas, talvez fosse uma Criatura do Pesadelo com muitos pés. Era melhor não descobrir.
Mas ele ainda não tinha terminado a caçada. Ele ainda tinha que pegar seus troféus…
“Vá dar uma olhada.”
Mandando a sombra embora, Sunny se ajoelhou e começou a cortar a carne dura da criatura morta. Sem o efeito de aprimoramento da sombra, fatiar o Infernal de Sangue não foi tão fácil. No entanto, ele ainda conseguiu encontrar o primeiro Fragmento de Alma bem rápido. Faltava mais um…
Enquanto isso, a sombra havia descoberto os visitantes indesejados. Seis humanos caminhavam cautelosamente pela rua estreita nas ruínas de pedra, iluminando seu caminho com uma lanterna azul fantasmagórica.
Eles eram todos homens robustos, vestindo armaduras descombinadas e armados até os dentes. Seus olhos eram frios e duros.
Sunny levantou as sobrancelhas.
“Meu Deus. Realmente são pessoas. O que um bando de capangas do Gunlaug está fazendo do lado de fora das muralhas do castelo bem no meio da noite?”
Gunlaug era o dono do castelo e o autoproclamado rei deste lugar odioso. Cada Adormecido na Costa Esquecida era forçado a servi-lo ou pagar-lhe um tributo. Mesmo assim, os adormecidos geralmente não viviam muito.
Dispensando o Fragmento da Meia Noite e a Pedra Papagaio, Sunny concentrou-se em procurar o segundo Fragmento de Alma. Ele queria sair da rua antes que esses cavalheiros chegassem.
Mas o círculo de luz azul estava se aproximando rápido demais…
Finalmente vislumbrando o cristal brilhante, Sunny o agarrou e rapidamente o escondeu em sua armadura. Então largou a adaga no chão e deu vários passos para trás.
Mas era tarde demais. Eles já tinham o visto.
“Cuidado! Um monstro!”
Enquanto Sunny recuava, várias armas foram apontadas em sua direção. Sentindo que as coisas estavam prestes a sair do controle, ele limpou a garganta e disse com a voz trêmula:
“Oh, oh! Por favor, não me machuque! Eu sou humano!”
Dizendo isso, ele se examinou mentalmente.
Com sua pele pálida fantasmagórica e cabelo sujo, sua armadura esfarrapada coberta de camadas de sangue seco e fresco, Sunny era de fato fácil de ser confundido com uma Criatura do Pesadelo. Ele não estava realmente prestando muita atenção à higiene pessoal e aparência ultimamente.
Esperançosamente, falar em uma língua humana provaria sua identidade. Levantando as mãos para mostrar que não estava armado, Sunny deu outro passo para trás.
Os seis Adormecidos ficaram realmente surpresos ao ver outro humano tão longe das paredes do castelo, especialmente à noite. Usando a confusão momentânea deles, ele cautelosamente se moveu ainda mais para longe.
“Não se mova!”
Finalmente capaz de compreender a situação, um dos habitantes do castelo deu um comando ameaçador. Sunny parou obedientemente, tomando cuidado para não fazer nenhum movimento brusco.
Os convidados inesperados começaram a se aproximar, olhando para o cadáver do Infernal de Sangue enquanto vigiavam ele. Um deles era mais alto e mais bem equipado do que os outros. Perfurando Sunny com um olhar ameaçador, ele se aproximou dele e parou a um ou dois passos de distância.
O homem era mais velho que Sunny por alguns anos. Ele era alto e musculoso, com uma barba irregular cobrindo a parte inferior do rosto e um olhar maldoso em seus olhos azuis aquosos. Por seu comportamento e Memórias, era fácil dizer que o líder do grupo havia passado nada menos que três anos na Costa Esquecida. Ele tinha experiência e tempo para ficar mais forte do que a maioria dos Adormecidos daqui.
No entanto, também era aparente que ele não estava realmente em uma posição alta nas fileiras do exército de Gunlaug. Caso contrário, seu equipamento seria muito mais impressionante.
Ainda assim, o pesado machado de batalha que estava apoiado no ombro do homem parecia realmente afiado. Levaria apenas um segundo para ele derrubar aquela coisa na cabeça de Sunny…
“Quem é você?! O que diabos você está fazendo aqui?!”
Sunny piscou algumas vezes, então engoliu em seco e respondeu cuidadosamente:
“Uh… Eu sou Sunless. Eu moro aqui.”
O líder do grupo de caça — se é que era isso — estreitou os olhos.
“O que… mora aqui? Acha que eu tenho cara de palhaço, garoto?! Ninguém consegue sobreviver na cidade!”
Os outros Adormecidos tinham a mesma opinião — exceto um, que olhou para Sunny com dúvida. Franzindo a testa, ele deu um passo à frente e disse em um tom incerto:
“Espere, chefe. Ele pode estar falando a verdade. Ouvi dizer que tem um menino louco que mora sozinho nas ruínas.”
O homem mais alto fez uma careta.
“Como isso é possível?”
Seu subordinado olhou para Sunny e deu de ombros.
“Pelo que ouvi, seu Aspecto permite que o garoto se esconda nas sombras muito bem. Acho que ele rasteja como um rato e pega as sobras depois que os monstros terminam de comer. Não sei bem, mas alguém estava falando sobre ele no castelo. Achei que só estavam contando histórias.”
Sunny franziu a testa. Menino, louco, rato… por que todos se sentem obrigados a chamá-lo assim?
Enquanto isso, o prestativo Adormecido pensou um pouco e acrescentou:
“Acho que ele veio para a cidade com aquela puta, a Estrela da Mudança.”
A expressão de Sunny se transformou em uma carranca. Olhando para baixo, ele falou para sua sombra:
“Esses caras são realmente muito rudes, você não acha?”
Claro, seu sussurro foi facilmente ouvido por todos ao redor. Os Adormecidos ficaram confusos.
Sunny inclinou um pouco a cabeça e arregalou os olhos, como se estivesse chocado com alguma coisa.
“O quê? Você acha que eu deveria matar todos eles? Quero dizer… não é um pouco de exagero? Eu deveria dar a eles uma chance de se desculparem, pelo menos.”
O líder do grupo de caça deu um passo à frente e disse em voz baixa e grave:
“O que você está resmungando, seu rato?”
Sunny olha para ele com desprezo e insatisfação.
“Ei, eu estava falando com meu amigo. Você pode não me interromper, por favor?”
Um sorriso largo e perigoso apareceu no rosto do homem alto. Com um suspiro, Sunny voltou-se para ele e disse:
“Tudo bem, se você insiste. Vocês ofenderam a minha querida amiga, Nephis, do clã Chama Imortal. Ela e eu somos muito, muito próximos. Então, vou dar a vocês uma chance de se desculparem por chamá-la de… bem, vocês sabem do quê. Se não fizerem isso, digam adeus às suas vidas.”
O homem mais velho olhou para ele por vários segundos, então de repente levantou a cabeça e riu.
“Oh, essa é boa! Vocês ouviram, rapaz? Essa pequena doninha vai nos dar uma chance. Que generoso! Deveríamos ser generosos também, hein? O que vocês dizem? O garoto está doente da cabeça, afinal.”
Os outros cinco Adormecidos não estavam compartilhando seu entusiasmo. Um deles sorriu sombriamente e disse:
“Não, chefe. Acho que deveríamos matá-lo. Acabar com o sofrimento do pobre tolo, entende?”
O Adormecido que havia colaborado na história de Sunny antes, enquanto isso, estava carrancudo novamente.
“Esperem, pessoal… ele é um dos membros da Estrela da Mudança, lembram? O grupo original, quero dizer. Eles sobreviveram dois meses inteiros no Labirinto sozinhos. Não devemos subestimar o…”
No entanto, o líder o interrompeu com um deboche desdenhoso.
“Ouvi dizer que a Santa Nephis carregou dois sacos inúteis de merda nas costas até o castelo. A vadia gosta de cuidar dos fracos, certo? Aquela amiguinha deliciosa dela é cega, pelo amor de Deus! Tenho certeza de que este não é melhor.”
Então, ele se virou para Sunny e sorriu.
“Vou te dizer uma coisa, rato. Nos dê todas as suas memórias, e seremos generosos o suficiente para deixá-lo viver.”
Se um Despertado morresse, suas Memórias desapareceriam com ele. A única maneira de obter as Memórias era fazer com que o dono as transferisse por vontade própria. No entanto, se essa vontade fosse afetada por coerção ou tortura realmente não importaria. Pelo menos não para essas pessoas.
Sunny piscou.
“Então vocês não vão se desculpar?”
O homem alto sorriu.
“Eu acho que não.”
Sunny suspirou.
“Ah, bem. Então você quer minhas Memórias, hein? Eu tenho algumas. Deixe-me pensar… uh… que tal esta?”
Baixando uma mão, ele chamou a Pedra Papagaio. Ela imediatamente apareceu na sua palma, parecendo tão chata e comum como sempre.
O líder do grupo de caça franziu a testa, sem tirar os olhos do rosto de Sunny. Apesar de seu exterior bruto, ele era paranóico e cuidadoso. Anos de experiência o ensinaram a nunca baixar a guarda.
Um momento depois, a rocha falou:
“Atrás de você!”
Esse era o truque mais básico…
O homem alto sorriu, ainda olhando Sunny nos olhos.
“Você realmente acha que eu cairia nes…”
No entanto, antes que ele terminasse de falar, a lâmina da adaga o atingiu por trás, penetrando a parte de trás do crânio do homem e matando-o na hora.
Shadow Slave - Capítulo Noventa e nove: Perseguição
Sunny tinha largado a adaga de arremesso perto do corpo do Monstro com antecedência e então deu todos aqueles passos para trás para essa situação exata ser possível. Assim que a Pedra Papagaio falou, ele puxou a corda invisível, mandando a adaga voar de volta em sua direção. O bastardo alto não estava por acaso no seu caminho, também.
[Você matou, sua…]
O líder do grupo de caça realmente deveria ter escutado aquela pedra.
[… sombra se fortaleceu.]
Antes que os Adormecidos tivessem tempo de reagir, Sunny já estava se movendo. A sombra estava enrolada em seu corpo há muito tempo, tornando-o muito mais rápido. Invocando o Fragmento da Meia Noite, ele golpeou o inimigo mais próximo, cortando o braço do homem no cotovelo em um movimento fluido.
A lâmina atingiu bem entre a braçadeira e a articulação de sua armadura de placas encantada.
Para Sunny, essas pessoas eram lentas e desajeitadas, o nível de poder e técnica delas era severamente deficiente. Ele já era mais experiente após a jornada angustiante pelo labirinto carmesim, aprendendo a empunhar a espada em combate com a própria Estrela da Mudança.
Os três meses que ele passou caçando e sobrevivendo sozinho na cidade amaldiçoada só aumentaram ainda mais essa diferença. Apesar de parecer uma presa fácil, Sunny era tudo menos isso.
No entanto, ele não era o suficiente para enfrentar todos os cinco. As pessoas podem ser mais fracas do que as Criaturas do Pesadelo, mas o que as tornava realmente perigosas era sua imprevisibilidade. Cada Aspecto era único, armando os humanos com um formidável arsenal de habilidades inexplicáveis.
Enfrentar algo que você não conhecia era a maneira mais eficaz de acabar morto.
Sem a vantagem da surpresa, Sunny decidiu que era hora de recuperá-la.
Virando-se, ele pulou para fora do círculo de luz e correu. Era muito difícil perseguir alguém que conseguia enxergar no escuro nessas ruas estreitas, então havia uma chance real de escapar.
No entanto, a adaga ainda estava presa ao pulso de Sunny. Deslizando para fora do crânio do líder morto, ela caiu no chão e tilintou alto contra as pedras, então pulou alguns metros de distância e atingiu o pavimento novamente, fazendo mais barulho.
“Peguem esse bastardo! Ele matou o chefe!”
Seguindo o som do metal batendo na pedra, os Adormecidos avançaram, seguindo os passos de Sunny.
“Que grupo persistente.”
Até mesmo o sujeito que havia perdido o braço estava em seu encalço, tendo uma maneira de estancar o sangramento ou simplesmente não querendo deixar o agressor escapar, mesmo que isso lhe custasse a própria vida.
Esta parte da cidade era o campo de caça de Sunny. Ele conhecia cada canto e fenda dessas ruas como suas próprias mãos. Sinceramente, ele não tinha certeza do que essas caras estavam pensando. Se ele não escolhesse cuidadosamente o caminho, eles acabariam perturbando alguma aterrorizante criatura Caída e se tornariam seu jantar.
Algo não estava certo aqui. O pessoal do Gunlaug poderia ser um bando de delinquentes, mas eles eram caçadores experientes e talentosos. Eles temiam a cidade e sabiam como se comportar fora das muralhas do castelo.
Caso contrário, todos já estariam mortos há muito tempo.
Pensando bem, era extremamente raro vê-los chegando perto da cidade à noite.
Esses tolos eram mesmo caçadores de verdade? Se não, o que eles estavam fazendo?
Sunny pensou em deixar um deles vivo para interrogar mais tarde, mas então decidiu não fazer isso. Para ser honesto, ele não era realmente curioso. Negócios humanos há muito tempo perderam o encanto aos seus olhos.
Ele tinha coisas muito mais interessantes para fazer.
Finalmente alcançando seu objetivo, Sunny desacelerou os passos, fingindo estar em pânico.
Os cinco Adormecidos conseguiram mais uma vez colocar os olhos na sua vítima. O garoto magricelo estava hesitando em frente à entrada de um grande prédio em ruínas, com o medo claramente escrito em seu rosto sujo e pálido. parece que ele não sabia para onde ir, com medo de correr para um beco sem saída.
Ao notá-los, ele se encolheu e mergulhou no prédio com desespero nos olhos.
“Você não tem para onde correr agora, seu rato maldito!” gritou o homem que havia perdido a mão para a lâmina de Sunny.
Cheios de intenção assassina, os Adormecidos seguiram o jovem louco até o prédio.
… No entanto, quando entraram, não viram sinal algum do garoto assustado. A única coisa que viram foi uma simples pedra caída no chão.
Quando o homem de um braço percebeu tardiamente que algo estava errado, a pedra disse em um tom ameaçador:
“… digam adeus às suas vidas!”
Um segundo depois, uma enorme silhueta surgiu da escuridão.
Os olhos do homem se arregalaram quando a figura de um cavaleiro majestoso vestido com uma armadura negra ameaçadora surgiu.
A criatura tinha mais de dois metros de altura, sua armadura gótica era forjada de um aço antracito sem brilho. Cada parte da armadura era decorada com gravuras intrincadas que contavam uma história tão horripilante que qualquer um ficaria louco de olhar para elas por muito tempo.
O capacete do Cavaleiro Negro era coroado com chifres curvos que poderiam ter sido asas uma vez. Na estreita fissura de sua viseira, duas chamas vermelhas medonhas queimavam com uma ameaça indescritível.
Antes que o Adormecido tivesse tempo de resistir, uma pesada lâmina negra caíu de cima, cortando seu corpo sem esforço algum, da cabeça à virilha, cortando a carne, ossos e armadura com a mesma facilidade.
Uma torrente de sangue jorrou no chão.
… Subindo em uma das vigas de sustentação da catedral em ruínas, Sunny sentou-se e assistiu o massacre que acontecia abaixo.
‘Huh. Esse maldito está com muito mau humor hoje. Bem, aproveite!’
Algum tempo depois, quando os ecos dos gritos fracos desapareceram, ele suspirou e contornou os cadáveres caídos no chão distante.
Era difícil contar, porque a maioria estava em pedaços.
Certificando-se de que nenhum dos perseguidores escaparia vivo, Sunny franziu a testa e balançou a cabeça.
‘Seis pessoas… o desaparecimento delas não passará despercebido. Principalmente se elas realmente estivessem tramando algo ruim. Huh… por que sinto que arrumei uma confusão?’
Shadow Slave - Capítulo Cem: Consciência Limpa
O Cavaleiro Negro ficou parado por vários minutos, observando silenciosamente os cadáveres de seus inimigos. Gotas de sangue caíram da lâmina de sua terrível espada larga, acumulando-se em uma poça sob seus pés. Os pensamentos da criatura cruel eram um mistério. Para ser honesto, Sunny nem tinha certeza de que esse monstro assassino de aço era senciente.
Nesse sentido, os habitantes monstruosos da cidade amaldiçoada eram um pouco estranhos.
Geralmente, as Criaturas do Pesadelo de classes mais altas possuíam uma forma perversa de inteligência, que era frequentemente parecida com a dos humanos, e às vezes até a superava. No entanto, essa regra não se aplicava a todos os monstros desse lugar.
Da observação de Sunny, os moradores da cidade em ruínas poderiam ser divididos em dois grupos. O primeiro grupo consistia em várias criaturas que vieram de fora do muro, seja do Labirinto ou das profundezas do mar escuro. Essas coisas abomináveis seguiam mais ou menos as leis não naturais do Feitiço com as quais todo Despertado estava ciente.
O segundo grupo era diferente. Ele suspeitava que essas criaturas foram criadas a partir dos restos mortais dos antigos moradores da cidade ou, assustadoramente, realmente tinham sido eles um dia. Os fantasmas, como ele chamava, eram muito mais imprevisíveis e perigosos. Seus poderes e comportamentos se recusavam a obedecer a qualquer tipo de senso ou lógica.
O Cavaleiro Negro era um desses fantasmas sinistros. É por isso que Sunny teve problemas em prever suas ações.
Na maioria das vezes, o majestoso Diabo ficava contente em simplesmente patrulhar o grande salão da catedral em ruínas e matar qualquer coisa que ousasse entrar.
Assim como ele havia matado aqueles pobres imbecis.
Com um suspiro, Sunny deitou-se em cima da viga de suporte e, sem prestar atenção à altura mortal de seu local de descanso improvisado, fechou os olhos. Ele queria respirar antes de continuar com suas tarefas noturnas.
Logo, o som de passos pesados indicavam que o bastardo havia retomado sua patrulha sem fim.
‘Boa viagem.’
Apesar do fato de que nada mais perturbava sua paz, Sunny ainda se sentia estranhamente inquieto. Sua voz interior estava a fim de conversar.
‘Ah, Sunny. Você não está esquecendo de algo?’
Ele franziu a testa. O que havia para esquecer? Ele estava apenas recuperando o fôlego antes de sair novamente. Também tinha que esperar o momento certo para vasculhar os pertences desses caçadores mortos…
‘Você acabou de matar seis pessoas. Não se sente culpado?’
Sunny ficou um pouco assustado com essa pergunta. Curioso, ele ouviu suas emoções e chegou à conclusão de que não, ele não se sentia culpado de forma alguma.
Esta foi a terceira vez que ele matou um ser humano com as próprias mãos. Claro, a primeira vez aconteceu dentro de um Pesadelo, onde as pessoas deveriam ser simples ilusões. No entanto, Sunny não tinha certeza se acreditava nessa teoria. A angústia do velho traficante de escravos parecia terrivelmente real para ser apenas uma invenção de sua imaginação.
Na segunda vez… bem, ele não queria pensar nisso. Aquilo aconteceu no castelo, de qualquer forma, e aquela fase da vida dele já passou.
A terceira vez foi a mais limpa de todas. Aqueles bandidos iriam roubá-lo e matá-lo, de qualquer forma. Sunny tinha percebido suas intenções muito antes de puxar a corda invisível e enviar seu líder para o abraço frio da morte.
Ele poderia ter pensado em fugir, mas… eles foram muito rudes. Se os bandidos tivessem insultado apenas ele, Sunny poderia ter imaginado acabar com o confronto sem derramar sangue. No entanto, eles insultaram a Nephis. Os bastardos mereceram morrer.
Apesar do fato de que seu relacionamento com a Estrela da Mudança havia se tornado complicado, ele ainda se importava muito com ela. Deixar o castelo não significa que ele havia esquecido a amizade deles. É só que… havia mais motivos para ir embora do que para ficar.
Com um suspiro, Sunny convocou a linda garrafa de vidro azul estampada. Este era o presente de despedida que Cassie lhe dera antes de sua separação. Ele estimava muito esta Memória.
Levando a garrafa aos lábios, Sunny tomou vários goles da água fria e deliciosa e abriu os olhos.
Ele não queria mais descansar. Era melhor ir andando…
Antes de se aventurar novamente, Sunny retornou ao seu quarto e andou até um grande baú de ferro que estava em um dos cantos. Exercendo alguma força, levantou a tampa pesada e admirou sua pilha de tesouros.
Dentro do baú, mais de cem belos Fragmentos de Alma brilhavam suavemente no escuro. Essa visão sempre elevou o humor de Sunny.
Apesar do fato de que ele próprio não tinha utilidade para os Fragmentos de Alma, eles ainda eram um recurso valioso. Aqui na Costa Esquecida, os fragmentos eram uma forma de moeda entre os Adormecidos. Cem deles era uma quantidade inimaginável.
Depois de uma vida inteira de pobreza, Sunny finalmente ficou rico!
“Dinheiro, eu tenho tanto dinheiro…”
Se uma pessoa quisesse viver dentro dos muros do castelo, tinha que pagar o tributo de um Fragmento de Alma toda semana. Aqueles que não podiam pagar eram forçados a ficar do lado de fora, vivendo em um assentamento improvisado logo depois dos portões, que era frequentemente atacado por monstros. Mesmo assim, tinham que pagar pela comida ou sair e caçar por si mesmos, o que na maioria das vezes levava à morte.
Com o quanto Sunny havia reunido nesses três meses, ele poderia viver no conforto do castelo por anos… se quisesse. O que, é claro, ele não queria. Por que ele pagaria por acomodações quando já tinha um palácio próprio?
Um lugar sem vizinhos barulhentos e com um guardião temível protegendo o local, nada menos.
Colocando dois novos Fragmentos de Alma no baú, Sunny olhou para o seu tesouro uma última vez e fechou a tampa com um sorriso satisfeito.
Talvez fosse hora de visitar o castelo novamente e comprar algumas coisas… não, não. Ele já tinha comprado tudo o que precisava da última vez. Gastar muitos Fragmentos faria as pessoas duvidarem que ele era tão patético quanto todos pensavam.
De todos os Adormecidos no castelo, apenas três pessoas sabiam que ele não era bom apenas em se esconder nas sombras e evitar o perigo. Eles eram Nephis, Cassie… e Caster.
Aquele filho da puta miserável…
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